Jobim e Beltrame reclamam da falta de projetos sociais em UPPs

Ministro diz que Firjan não leva projeto que recebe isenção fiscal a favelas pacificadas. Entidade reage e o chama de desinformado

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

A falta de projetos sociais em favelas pacificadas do Rio foi questionada nesta terça-feira (17) pelo secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, e o Ministro da Defesa, Nelson Jobim. Mais específico, o ministro criticou a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), por não levar projetos de profissionalização para os quais recebe incentivos fiscais.

Beltrame afirmou que a implantação das UPPs abre caminho para a quitação da dívida da sociedade e dos governos com estas comunidades carentes. “Não se incluía políticas públicas em determinados locais porque a milícia não deixava, porque o traficante não deixava e não se investia em cidadania sob essa desculpa”, disse o secretário de segurança durante o Fórum Nacional, promovido pelo Instituto de Altos Estudos na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Então a UPP chega nestes lugares, derruba muros e proporciona que a sociedade comece a pagar uma dívida que ela tem há muitos anos. Seja o Estado, o município ou a sociedade privada. Sociedade esta que foi muito tolerante com tudo isso. Esta é a proposta da UPP: ela não é uma palaceia e também não é a solução de todos os problemas. Existem muitas coisas que ainda devem ser feitas”, acrescentou Beltrame.

Jobim afirmou “sentir falta da presença do Sistema S e da Firjan no processo de retomada de cidadania nas comunidades carentes no Rio de Janeiro”. O sistema S consiste em projetos sociais com foco em cursos profissionalizantes. Procurada pelo iG para responder sobre as críticas de Jobim, a Firjan informou que foi a primeira instituição a apoiar as UPP´s.

"O Sistema Firjan foi a primeira instituição a apoiar as UPPs e ser reconhecida publicamente pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro e pela Secretaria de Segurança do Estado como parceiro de primeira hora. De fevereiro de 2010 até os dias de hoje, o programa SESI CIDADANIA atendeu a cerca de 50 mil pessoas por meio de ações de educação básica, educação profissional, saúde, cultura, esporte e lazer em 15 comunidades já pacificadas no município do Rio de Janeiro", retrucou a entidade.

"Daí lamentarmos profundamente as declarações deselegantes, descabidas e desinformadas do senhor Ministro da Defesa Nélson Jobim", acrescentou a Firjan, por meio de sua assessoria de imprensa.

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