Incêndio atinge campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Reitor Aloisio Teixeira disse, com base em informação dos bombeiros, que arquivo com a história da instituição foi salvo

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Fogo destruiu teto da capela do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Um incêndio atingiu nesta segunda-feira (28) parte do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na Praia Vermelha, zona sul do Rio de Janeiro. O fogo teve início por volta das 14h30 no terceiro andar do Palácio Universitário, onde fica localizada a capela, mas se espalhou pelo prédio.

Cerca de 100 bombeiros dos quartéis do Humaitá, Catete e Gávea trabalharam no local, com o apoio de 15 viaturas da corporação. O fogo foi controlado e os bombeiros se concentram no trabalho de rescaldo, para evitar novos focos. Ninguém ficou ferido.

“O incêndio começou com proporções muito grandes no telhado e, como havia muita madeira na parte interna do prédio, houve uma grande dificuldade para combater as chamas”, explicou o comandante das unidades especializadas do Corpo de Bombeiros, coronel Valdinei Dias da Silva.

Por causa do incidente, as aulas no campus foram suspensas até quarta-feira (30). Construído em 1852, o Palácio Universitário abrigava atualmente, além da capela no último andar, o Fórum de Ciência e Cultura, algumas salas da Faculdade de Educação, três salões nobres onde eram realizados eventos e um importante acervo da UFRJ, que não foi atingido, segundo o reitor Aloisio Teixeira.

Agência Estado
Bombeiro combate as chamas no campus da UFRJ
"São documentos desde a criação da universidade, atas, processos de reformas curriculares, enfim, a memória da UFRJ", disse Ana Maria Monteiro, diretora da Faculdade de Educação

O imóvel, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), estava em obras há cerca de um ano. Segundo o Iphan, o incêndio pode ter tido início com um maçarico usado na obra que era alimentado por um botijão de gás. Essa técnica, no entanto, não é irregular, de acordo com o instituto.

O maçarico teria esquentado o cobre das calhas de recolhimento da chuva localizadas no teto da capela, que teria aquecido a madeira que reveste o local, dando início ao fogo.

“Até onde sabemos, não foi gás que causou o incêndio. As informações preliminares que recebi são que de o cobre ficou superaquecido e isso pode ter causado o fogo na madeira. Mas, repito, não é uma informação oficial", destacou o superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Carlos Fernando Andrade.

De acordo com Andrade,  “a questão de responsabilidade criminal será investigada pelos órgãos de apuração competentes”.

O reitor da UFRJ, Aloisio Teixeira, informou que o Palácio Universitário não será aberto na terça-feira (29) por questões de segurança. No local também funciona uma subestação de energia do campus da Praia Vermelha, que foi deligada logo após o incêndio.

“Testaremos a parte elétrica já que pode ter alguns problemas. Após testarmos ponto a ponto e, se tudo correr bem, vamos abrir na quarta-feira para as aulas nas partes laterais, como as Faculdades de Comunicação Social e de Educação”, disse.

A coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, Beatriz Resende, lamentou a perda do mobiliário, pois o prédio foi construído e mobiliado por D. Pedro II, que ergueu o imóvel para abrigar o Hospício Nacional Pedro II. “É uma perda nacional. Aqui está parte da história do País”, afirmou Beatriz.

Ela lembrou que pelo hospício passaram o escritor Lima Barreto, o compositor Ernesto Nazareth e o teatrólogo gaúcho Qorpo Santo. Em 1930, os internos foram transferidos para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. Em 1949, o então vice-reitor da UFRJ, Pedro Calmon, pediu o prédio ao Governo Federal para instalar a reitoria da instituição de ensino.

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