Imóvel de assassino do jornalista Tim Lopes vai a leilão

Traficante Elias Maluco comprou apartamento em condomínio de luxo em Jacarepaguá por R$ 850 mil em 2008. Leilão é nesta quinta

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

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Condomínio onde Elias Maluco comprou imóvel. Leilão poderá ocorrer nesta quinta
Comprado pelo traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, por R$ 850 mil, em 2008, um apartamento em construção em um luxuoso condomínio em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, será leiloado.

Relembre: Polícia investiga mulher de Elias Maluco por lavagem de dinheiro

No último dia 3, foi publicado no Diário Oficial do Estado, que o imóvel, de quatro quartos, iria a leilão extrajudicial (por falta de pagamento de prestações) nesta quinta-feira (13). Caso não seja arrematado, um novo leilão está marcado para o dia 24.

Avaliado atualmente em R$ 801 mil, o imóvel estava em nome de Silvânia Fernandes, mulher do criminoso, que foi condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes, em 2002 .

No dia 28 de janeiro, foi publicado no Diário Oficial da Justiça o sequestro do direito ao imóvel à Silvana em razão dele ser citado em um processo que tramita na 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá em que a mulher do traficante é acusada de lavar o dinheiro do tráfico de drogas. Elias Maluco está preso atualmente na penitenciária federal de Campo Grande (MS).

O condomínio, onde fica o imóvel, tem uma área de 512.000 metros quadrados. Contará, por exemplo, com um complexo aquático de cinco piscinas recreativas com aquaplays, piscina infantil com toboágua, duas piscinas adulto com deck molhado, arena de espetáculos, salão de beleza, galeria de artes, entre outros espaços para lazer.

Agência O Globo
Casa em Jacarepaguá onde mulher de Elias Maluco morava com os filhos
Além do apartamento, uma casa na localidade de Anil, em Jacarepaguá, na zona oeste, e que estava no nome da mãe de Silvânia, Zilda Fernandes, também foi sequestrada. Era lá que Silvânia morava com os filhos do casal. A residência tem três andares e possui uma piscina com os dizeres, no fundo, “Silvania e Elias".

Elias Maluco é um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Segundo a polícia, seria dono das bocas de fumo da favela Vila Cruzeiro , no Complexo da Penha, na zona norte.

"Laranja"

Segundo o Ministério Público Estadual, as investigações sobre os bens de Elias Maluco revelam que a quadrilha abriu várias contas bancárias em nome de um suposto "laranja", inclusive em Brasília e em São Paulo, para movimentar o dinheiro.

De acordo com a denúncia, entre 2006 e 2009, o "colaborador do grupo" movimentou financeiramente valores incompatíveis com a sua declaração de renda bruta à Receita Federal. Em 2008, por exemplo, o "laranja" declarou rendimentos brutos de R$ 51.052 mas movimentou R$ 147 mil, quase o triplo.

O relatório do Ministério Público revela que essa diferença nos valores seria pelo fato de o "laranja" ter movimentado as contas para pagar as despesas de Silvânia. Entre os gastos, estavam as mensalidades das escolas dos filhos do casal, bem como das faturas de cartões de crédito usados pela mulher do traficante e de viagens aéreas feitas por ela para Curitiba para visitar o marido que, até o fim do ano passado, estava preso na penitenciária federal de Catanduvas (PR).

Segundo a denúncia da Promotoria, Elias Maluco teria adquirido também uma casa no bairro Casa Amarela, em Recife, no valor de R$ 180 mil que foi pago à vista. Consta também que ele comprou um carro Toyota modelo Fielder e registrou em nome da mulher.

O iG levantou ainda que a mulher de Elias Maluco tem uma empresa registrada na Junta Comercial do Rio (Jucerja). A firma fica localizada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Consta no registro (feito em 1999) que, no local, funcionaria uma farmácia. Atualmente, há uma loja de doces e papelaria no endereço. Ela possui também uma casa, no bairro de Maria de Graça, na zona norte, onde vive atualmente.


Marcinho VP registra imóveis em nomes da mulher, sogra e irmã

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Muro de mansão em Jacarepaguá que supostamente pertenceria a Marcinho VP
Em um outro processo que tramita na 34ª Vara Criminal do TJ-RJ, os parceiros de Elias Maluco, os traficantes Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, Márcio Batista da Silva, o Dinho Porquinho, e Luiz Carlos Santana, o Lico, são acusados de usar suas mulheres e até sogras para lavar o dinheiro do tráfico de drogas.

A quadrilha investiria parte do dinheiro do tráfico na aquisição de imóveis, veículos e na abertura de estabelecimentos comerciais.

Preso, Marcinho VP é apontado como o líder máximo da facção criminosa Comando Vermelho (CV) e dono das bocas de fumo no Complexo do Alemão e parte do Complexo da Penha. Também presos, Dinho Porquinho comanda favelas em Santa Cruz, na zona oeste, e Lico domina comunidades de Niterói.

No final do ano passado, a Justiça determinou o bloqueio de vários bens que estavam em nomes de parentes dos três bandidos. As mulheres de VP (Márcia Gama dos Santos Nepomuceno) e de Porquinho (Paula Fernanda Vieira) chegaram a ficar presas devido à acusação de lavagem de dinheiro

Foram seqüestrados dois imóveis nas localidades de Pechincha e de Boiúna, em Jacarepaguá, na zona oeste. O primeiro deles estava registrado no nome da sogra de Marcinho VP. As dimensões impressionam: são dois quilômetros quadrados, com duas casas, piscina, cerca elétrica e circuito interno de câmeras. O segundo foi colocado em nome de uma cunhada de VP.

A Justiça também bloqueou uma casa e um apartamento na Taquara, também em Jacarepaguá, que foram registrados em nome de Márcia e de uma irmã de VP. Consta ainda que, por determinação judicial, houve o seqüestro de um apartamento na rua Paissandu, no Flamengo, na zona sul, que foi registrado no nome de um parente de Lico.

A Justiça também bloqueou um Astra, um Celta, três Kombis, um caminhão Mercedes-Benz, que estavam no nome de um suposto laranja da quadrilha.

Os autos revelaram que as mulheres e parentes dos traficantes também abriram empresas cuja origem do dinheiro é investigada. A companheira de Marcinho VP, por exemplo, foi proprietária de um salão de beleza no bairro do Cachambi, na zona norte, que não existe mais. Já Paula teria um salão de beleza em Manguinhos, também na zona norte.

A sogra de Porquinho seria sócia de uma loja de confecções na favela do Jacarezinho e de uma farmácia em Benfica, ambas na zona norte.

O processo revela ainda que um traficante conhecido pelo apelido de Samurai , atualmente preso, era o encarregado de entregar mensalmente o dinheiro arrecadado com o tráfico de drogas para as mulheres dos bandidos.

Consta também nos autos que as mulheres dos traficantes são titulares de várias contas bancárias cuja quantidade, segundo o juiz Rudi Badi, é incomum aos cidadãos brasileiros.

O processo informa também que um suposto laranja da quadrilha teria um imóvel registrado em seu nome na cidade de Araruama, na Região dos Lagos.

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