Hospital sem neurocirurgião não deve atender lesão cerebral, orienta governo

Apesar da diretriz, órgão afirmou ter exonerado o diretor do Getúlio Vargas por não ter recebido jovem que caíra de laje

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Bruno Gonzalez / Agência O Globo
Pai e irmão de Gabriel aguardam notícias do rapaz em frente ao Hospital Salgado Filho
A Secretaria de Estado de Saúde determinou, em ofício por e-mail, em 29 de julho, que hospitais sem neurocirurgião de plantão não devem receber pacientes com "suspeita de lesão cerebral aguda". Apesar disso, o órgão afirma ter exonerado o diretor Luiz Sérgio Verbicaro da função porque o hospital não recebeu o jovem Gabriel Paulino dos Santos de Sales, 21 anos, que caira de uma laje em Duque de Caxias. Gabriel caiu de cinco metros de altura na Baixada Fluminense e percorreu cinco hospitais, em sete horas, até ser atendido no Hospital Municipal Salgado Filho. Ele continua em estado grave.

O diretor exonerado do Hospital Getúlio Vargas, Luiz Sérgio Verbicaro, afirmou nesta quinta-feira que Gabriel não foi atendido na unidade porque não havia neurologista de plantão. Ele mostrou o e-mail assinado por Valéria Moll, superintendente da secretaria, em que a diretriz é expressa.

"Considerando que o paciente com suspeita de lesão cerebral aguda (...) necessita de avaliação rápida; que após realizar a TC (tomografia computadorizada) precisa ser examinado pelo neurocirurgião para avaliar a necessidade de intervenção cirúrgica; que o mais eficiente e eficaz, nos pacientes com lesão cerebral aguda é a realização da TC onde existe neurocirurgião, fica estabelecido que, a partir de então, todo e qualquer paciente proveniente das UPAS que necessitar de tomografia para avaliação e diagnóstico de lesão cerebral aguda deverá realizar o referido exame em hospitais que possuam neurocirurgições de plantão", diz a superintendente, em e-mail.

De acordo com Verbicaro, há quatro turnos de 12h durante a semana em que o Hospital Getúlio Vargas não conta com neurocirurgiões de plantão: às segundas, quartas e sextas, de 7h às 19h, e aos sábados, de 19h até as 7h de domingo. Ele disse que faltam neurologistas no Getúlio Vargas, mas que se trata de um problema estrutural da Secretaria de Saúde, não restrito ao hospital.

A assessoria de comunicação da secretaria informou que as unidades estaduais de saúde contam atualmente com 83 neurocirurgiões, mas reconhece que "existe um déficit desse profissional no mercado para contratação".

Para o médico, se o rapaz tivesse sido recebido no hospital teria aumentado o risco de morrer, porque não teria o tratamento adequado, por falta de especialista em neurologia.

“Há essa diretriz da Secretaria de Saúde, por e-mail, afirmando que os hospitais não devem receber pacientes de trauma, sem ter neurologista. Se ele tivesse sido atendido não poderíamos atendê-lo adequadamente e ele provavelmente teria mais chances de morte”, afirmou ele.

Além de Verbicaro foi exonerado o chefe de equipe de plantão do Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), primeiro hospital onde Gabriel buscou atendimento e não teve. Verbicaro afirmou que já tinha sido exonerado da função às 15h de terça-feira, duas horas antes do episódio, com a chegada de Gabriel ao hospital.

Secretaria diz que diretriz é atender todo paciente grave

A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Saúde informou que a diretriz é "atender todo e qualquer paciente grave necessitando de estabilização".

"Pacientes estáveis que necessitem de avaliação do especialista serão encaminhados aos locais que tenham o especialista. O que determina a recepção de pacientes em unidades hospitalares é o tipo de atendimento que o paciente precisa. Se for um caso de urgência ou emergência, o atendimento é regulado pelo SAMU (número 192), que busca unidades de emergência mais próximas. Nos casos de alta gravidade e/ou complexidade a regulação de leitos se dá pela Central de Regulação de Leitos, que seleciona a unidade de saúde apta a receber o paciente em questão."

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