Homem morto por engano será enterrado nesta quinta

Soldado do Bope confundiu furadeira com submetralhadora e disparou contra fiscal de supermercado na zona norte do Rio

iG Rio de Janeiro |

O corpo do fiscal de supermercados Hélio Barreira Ribeiro, de 47 anos, será enterrado na tarde desta quinta-feira no cemitério do Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro. Ele foi morto ontem de manhã por um soldado do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) enquanto instalava um toldo no terraço de sua casa, no Andaraí, zona norte da capital fluminense. Hélio segurava uma furadeira que foi confundida com uma submetralhadora Uzi.

O cabo do Bope que efetuou o disparo se apresentou espontaneamente à 20ª DP (Vila Isabel) e irá responder em liberdade pelo crime de homicídio doloso (quando há intenção de matar ou assume o risco). Em nota, a Secretaria Estadual de Segurança lamentou a morte "de um inocente durante a ação da polícia" e informou que o governo vai oferecer assistência psicológica e o pagamento de uma pensão à família da vítima, além de providenciar o enterro do corpo.

Tragédia

A casa de Hélio fica localizada na rua Ferreira Pontes, em um dos acessos ao Morro do Andaraí, onde o Bope realizava uma operação para localizar traficantes do Morro do Borel que estaria escondidos na comunidade. Por volta das 11h, o cabo Leonardo Albarello confundiu a furadeira com uma arma e disparou contra o fiscal de supermercados a uma distância de aproximadamente 40 metros.

A vítima foi atingida de frente e a bala atravessou o tórax. Hélio chegou a ser encaminhado para o Hospital do Andaraí, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O fiscal utilizava uma furadeira elétrica com fio que mede cerca de 24 centímetros.

O comandante do Bope, tenente-coronel Paulo Henrique de Moraes, classificou a ação como um "erro", mas disse que o policial pode ter disparado porque, "na avaliação dele, tudo indicava que era uma arma" e era necessário "proteger a equipe". Ele disse que o cabo será submetido a tratamento psicológico e afastado de operações nas ruas.

O Bope vai instaurar um procedimento interno para apurar as circunstâncias da ação e avaliar os resultados. A corporação informou que o agente está há 12 anos na PM e 10 na Tropa de Elite e nunca teve desvios de conduta.

A delegada responsável pela investigação, Leila Goulart, disse que o cabo admitiu ter confundido a furadeira com uma arma de fogo. "O inquérito investiga o homicídio como doloso porque ele teve a intenção de atirar, mas houve um erro", afirmou.

*com informações da Agência Estado

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