Homem é morto ao ter furadeira confundida com arma

Vítima, confundida com traficante armado, foi morta com tiro de fuzil por um cabo do Bope

iG São Paulo |

Um homem que segurava uma furadeira foi confundido com um traficante armado e morto com um tiro de fuzil por um cabo do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O fiscal de supermercados Hélio Ribeiro, de 46 anos, instalava um toldo no terraço de casa durante uma incursão policial em um dos acessos ao Morro do Andaraí, na zona norte da capital fluminense. O cabo se apresentou espontaneamente à 20ª Delegacia de Polícia, em Vila Isabel, e vai responder em liberdade por homicídio doloso.

Segundo a família da vítima, o disparo foi feito de uma vila de casas vizinha ao apartamento de Ribeiro. A viúva, Regina Célia, disse que o marido foi atingido de frente e que, em seguida, os policiais apontaram os fuzis para ela e ordenaram, gritando, que ela se deitasse no chão. Hélio segurava uma furadeira elétrica com fio que media cerca de 24 centímetros, de acordo com o modelo informado à Polícia Civil.

O comandante do batalhão, tenente-coronel Paulo Henrique de Moraes, classificou a ação como um "erro", mas disse que o policial pode ter disparado porque, "na avaliação dele, tudo indicava que era uma arma" e era necessário "proteger a equipe". O comandante do batalhão disse que o cabo será submetido a tratamento psicológico e afastado de operações nas ruas. O Bope vai instaurar um procedimento interno para apurar as circunstâncias da ação e avaliar os resultados. A corporação informou que o agente está há 10 anos na tropa de elite e nunca teve desvios de conduta.

A delegada responsável pela investigação, Leila Goulart, disse que o cabo admitiu ter confundido a furadeira com uma arma de fogo. "O inquérito investiga o homicídio como doloso porque ele teve a intenção de atirar, mas houve um erro", afirmou.

Em nota, a Secretaria de Segurança lamentou a morte "de um inocente durante a ação da polícia" e informou que o governo vai oferecer assistência psicológica e o pagamento de uma pensão à família da vítima, além de providenciar o enterro do corpo.

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