Grupo que tentava corromper policiais agia de dentro de presídios

Traficantes traziam drogas e armas do Paraguai e Bolívia e abasteciam favelas da Baixada Fluminense e Região Serrana

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

As investigações sobre a Operação Patente revelaram que a quadrilha de traficantes que tentava corromper policiais trazia drogas e armas, principalmente do Paraguai mas também na Bolívia e Colômbia, para abastecer a favela Vila Ideal, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e comunidades de Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Alguns dos traficantes faziam as negociações diretamente de presídios do complexo de Bangu, na zona oeste, e o Ary Franco, em Água Santa, na zona norte da capital.

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As mercadorias chegavam ao Rio em carros ou até mesmo caminhões. A quadrilha usava "batedores" que vinham antes dos carregamentos e avisavam os comparsas sobre a presença de policiais.

O bando também trazia as armas e drogas em aviões e as despejavam em fazendas do interior de São Paulo e de Minas Gerais. Um trecho de uma escuta telefônica comprova bem a ação.

“Estou à procura pra comprar um avião quente. Já tenho o meu piloto com brevê em dia pra voar e já estou vendo a fazenda pra jogar aqui mas já podemos mandar o nosso avião para comprar as bases (pasta de cocaína) na Bolívia”, diz um traficante.

Muitas das negociações feitas pelo bando com os fornecedores eram feitas em dólar. As cidades brasileiras que serviam como entreposto para a entrada do material eram Foz do Iguaçu e Guaíra (PR) e Coronel Sapucaia (MS). Já nos países vizinhos, os contatos eram em Capitán Bado e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Letícia, na Colômbia.

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As escutas revelam que os criminosos traziam armas pesadas. Em uma das interceptações, por exemplo, o traficante RD enconendou com um paraguaio identificado como Bugão no dia 30 de abril de 2010 a compra de três fuzis (modelos G3, Sig-Saucer e AK-47 com granada), três lança mísseis descartáveis, dez pistolas Glock calibre 40 com kit rajada e mira laser, dez silenciadores, 20 revólveres calibre 38, uma metralhadora calibre ponto 30 de esteira, 100 granadas, 500 caixas de munição calibre 7.62 e munições de titânio para ponto 30.

Dez dias antes, a PF já havia apreendido um grande carregamento do bando com sete pistolas (incluindo duas de fabricação argentina, uma alemã e outra espanhola), 90 munições de calibre 9 mm e outras 49 para fuzil calibre 762, sendo que 38 tinham a inscrição do Ministério da Defesa do Paraguai.

As investigações revelaram ainda que o grupo, que era vinculado à facção criminosa Comando Vermelho (CV), tinha ligações com o PCC (Primeiro Comando da Capital), maior organização de São Paulo.

Códigos

Para cada tipo de arma ou droga, os bandidos usavam nomes diferentes para tentar despistar a polícia. Os fuzis eram chamados de 'picaretas' ou 'vassouras'. Pistolas eram as 'quadradas'. As munições eram tratadas como 'jujubas'. 'Mocó' era o nome que se dava ao local onde as drogas eram escondidas em caminhões ou carros.

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Os veículos usados para o transporte das mercadorias eram a 'barca'. Armas e munições em geral eram chamadas também de 'brinquedos'. A maconha era tratada pelo bando como 'café' ou 'mato', a cocaína como 'estrela', a pasta base de coca como 'óleo' e o crack como 'ronaldo'.

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