Greve dos vigilantes deixa 300 agências bancárias fechadas no Estado do Rio

Paralisação começou no dia 23 de março. Categoria exige aumento de 10% acima da inflação. Febraban critica movimento

iG Rio de Janeiro |

Cerca de 300 agências bancárias estão fechadas no Estado do Rio de Janeiro em razão da greve dos vigilantes, segundo informações da Federação dos Vigilantes. A paralisação foi iniciada no último dia 23 de março.

Segundo a entidade, pelo menos 50 bancos fecharam hoje no centro da capital. Os vigilantes da cidade do Rio de Janeiro só resolveram aderir ao movimento nesta semana. De acordo com a Federação, foi feito um trabalho de convencimento junto aos guardas nas próprias agências da região para que eles participassem da paralisação.

De acordo com a Federação, só na Região dos Lagos (litoral) e Macaé, no Norte Fluminense, 80 agências não abriram hoje. Nesses locais, as agências estão funcionando apenas internamente com um segurança, atendendo decisão do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT/RJ), que determinou que permaneça um vigilante de plantão na agência para assegurar a integridade dos funcionários.

Em Campos dos Goytacazes, 52 estão sem funcionar. Alguns bancos insistiram em abrir nos três últimos dias, mas foram autuados pela Polícia Federal por desrespeitarem o plano de segurança bancária previsto na Lei Federal 7.102/83.

De acordo com a lei, a agência só pode atender o público se tiver no mínimo dois vigilantes, disse Luiz Carlos Rangel da Rocha, presidente do Sindicato dos Vigilantes de Campos e região.

No Sul Fluminense, a situação não é diferente, segundo a Federação dos Vigilantes. As agências bancárias permanecem fechadas em Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Itatiaia, Piraí, Barra do Piraí, Vassouras, Valença, entre outros municípios. Lotéricas também estão fechadas porque não há como guardar valores nas lojas com os bancos paralisados.

Aumento para a categoria

A greve ocorre porque os 50 mil vigilantes do estado reivindicaram 10% acima da inflação. Porém, segundo a federação dos empregados, o Sindicato das Empresas de Vigilância ofereceu apenas 1,5%, mais R$ 0,60 centavos no auxílio alimentação, que subiria de R$ 8,20 para R$ 8,80. Como não houve acordo, os desembargadores do TRT definirão o aumento a ser concedido aos vigilantes.

A Seção Especializada em Dissídios Coletivos (Sedic) do TRT/RJ julgará, na próxima quarta-feira (4) o dissídio coletivo de greve dos vigilantes e demais empregados de empresas de vigilância e segurança.

A ação foi ajuizado pelo Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado do Rio de Janeiro (Sindesp-RJ), que representa os empregadores.

Nas audiências de conciliação realizadas nos últimos dias 13 e 18, as partes não chegaram a um acordo. Por isso o desembargador Carlos Alberto Araújo Drummond, vice-presidente do TRT/RJ em exercício na presidência da Sedic, deferiu liminar determinando que ao menos 30% do empregados continuasse trabalhando.

A medida também estabelecia que cada agência bancária mantivesse pelo menos um vigilante em serviço. Foi ainda fixada multa de R$10 mil, por dia, para o sindicato que descumprisse as determinações.

Críticas à greve

Em nota, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou que, nos últimos anos, as entidades sindicais vêm banalizando o uso da greve e usando esses movimentos de forma abusiva. A Federação considera amentável que a sociedade fique refém dessa atitude que prejudica o atendimento ao público e não ajuda na melhoria das relações de trabalho.

A Febraban reitera que, estando a agência fora de funcionamento, as áreas de auto-atendimento e caixas automáticos devem permanecer disponíveis para a realização de operações bancárias, bem como os canais alternativos pela internet, centrais de atendimento e correspondentes não bancários.

A entidade diz na nota ainda que exige das prestadoras de serviços de vigilância a colocação de funcionários nas agências bancárias a fim de garantir o atendimento ao público. O vigilante integra o plano de segurança bancária, regulada pela Lei Federal nº 7.102/83, do qual fazem parte ainda sistema de alarme e no mínimo um entre outros dispositivos mecânicos ou eletrônicos de segurança.

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