Greve de ônibus é suspensa no Rio

Rodoviários irão avaliar por oito dias as propostas feitas pelas empresas de ônibus e voltarão a se reunir após esse prazo

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

O sindicato dos rodoviários do município do Rio de Janeiro decidiu na noite desta segunda-feira suspender a greve iniciada hoje à meia-noite. De acordo com a categoria, as propostas apresentadas pelas empresas de ônibus serão avaliadas por oito dias e, após esse prazo, os rodoviários irão se reunir novamente para decidir se retornam com a greve ou não.

AE
Com paralisação, longas filas se formaram nos pontos de ônibus do Rio
“Realizamos uma assembleia e decidimos encerrar a paralisação. Vamos avaliar as propostas apresentadas e, daqui a oito dias, realizaremos uma nova reunião”, disse o diretor suplente do sindicato, Gerson Francisco, ao iG .

Entre os pedidos feitos pelos grevistas estão o aumento real de 15% no salário, um vale-alimentação de R$ 150, o fim imediato da dupla função com retorno dos cobradores aos ônibus e plano de saúde para toda a categoria. As empresas de ônibus ofereceram um vale-alimentação de R$ 179, mas não houve acordo em relação aos salários.

Greve

Em uma audiência realizada na tarde desta segunda-feira no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ), a desembargadora Glória Regina Ferreira Mello não decretou a ilegalidade da paralisação, mas determinou que 70% da frota de ônibus municipais voltassem a circular no horário de rush. Nos demais horários, pelo menos 40% do total deveriam circular.

De acordo com a secretaria municipal de Transportes, a cidade do Rio possui cerca de 900 linhas de ônibus em circulação, com média diária de 3,4 milhões de passageiros.

Com o intuito de diminuir o impacto da greve aos passageiros, a secretaria estadual de Transportes determinou que trens, metrô e barcas operassem em esquema especial no rush noturno. O metrô está operando com toda a frota e as bilheterias continuam trabalhando com reforço de funcionários.

A concessionária SuperVia, que administra a rede ferroviária, está circulando com 100% da frota e mantém o reforço nas áreas de segurança e atendimento. Pela manhã, a empresa realizou quatro viagens extras e registrou aumento de 30 mil passageiros.

Já a concessionária Barcas S/A opera com intervalo de 10 minutos na linha Rio-Niterói, até às 20h. A concessionária informou que haverá embarcações tradicionais para eventuais viagens extras.

Transtorno

Futura Press
Fila de passageiros no Terminal Rodoviário de Campo Grande, na zona oeste do Rio
Pela manhã, o presidente do sindicato dos rodoviários do município do Rio de Janeiro, Antônio Branco, disse ao iG que a paralisação contava com a adesão de 70% dos motoristas. O sindicato patronal – Rio Ônibus – informou em nota que a greve não mobilizou toda a categoria e causou maiores problemas apenas em sete das 47 empresas da cidade, concentrando-se em áreas específicas, como a Barra da Tijuca, Jacarepaguá e parte da zona norte.

As empresas mais afetadas pela paralisação foram a Viação Redentor, a Litoral Rio Transportes, a Transportes Santa Maria, as viações Acari e Verdun, a Transportes Estrela e a Rodoviária A. Matias.

O contador Carlos Eduardo Machado, morador da Abolição, na zona norte, enfrentou problemas para chegar ao trabalho em Botafogo, na zona sul. “Cheguei ao ponto final por volta das 7h30 e não havia nem despachante lá. A fila estava enorme e, só às 10h, chegou um funcionário e informou que somente sete ônibus estavam circulando”, relatou.

A universitária Deborah Ferreira também enfrentou problemas para chegar à PUC-RJ, na Gávea, zona sul do Rio. “Pedi carona ao meu pai para ir à faculdade porque não tinha ônibus circulando. Cheguei lá e menos da metade dos alunos tinha ido. Decidi voltar para casa”, contou. Segundo ela, somente um ônibus estava parado no terminal rodoviário localizado próximo à universidade e os fiscais informaram que o intervalo entre os coletivos estava irregular.

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