Grande Rio preparava desfile de R$ 9 milhões

Dois dias antes do incêndio que destruiu todo o barracão da escola, o carnavalesco conversou com iG sobre os preparativos

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Sete carros alegóricos. Quatro tripés. Trinta e três alas. Um abre-alas com 60 metros de comprimento. E R$ 8 milhões de reais para pôr na avenida o enredo “Yjurerê-Mirim - A Encantadora Ilha das Bruxas”. Tudo isso foi consumido por labaredas de fogo na manhã desta segunda-feira (7).

O carnavalesco Cahê Rodrigues, com a missão, pela terceira vez consecutiva, de tentar o tão sonhado e inédito título para a Grande Rio, escola da Baixada Fluminense, conversou com o iG dois dias antes do acidente que destruiu mais de quatro meses de trabalhos na Cidade do Samba.

Na ocasião, ele chegou a comentar que a escola viria para tentar o campeonato. “É o desfile mais pé no chão que já realizei. Estamos fazendo um carnaval maduro, sem riscos para não perder pontos à toa. Vamos vir para incomodar. Já não nos interessa mais o vice”, afirma ele.

Confira o bate-papo:

George Magaraia
Cahê Rodrigues estava confiante com o título para a Grande Rio, que teve o barracão incendiado

iG: A Grande Rio nunca ganhou um título, mas investe pesado todo ano para isso. Qual é o tamanho da sua responsabilidade?
CAHÊ RODRIGUES: Ao contrário do que possa parecer, estou mais à vontade com a escola, apesar do título ainda não ter vindo. A gente bateu na trave algumas vezes, como no ano passado, quando ficamos em segundo lugar. Mas estou mais íntimo com os diretores.

iG: Qual é o tamanho deste desfile?
CAHÊ RODRIGUES: Vamos fazer, historicamente, o mais maduro e rico desfile da escola. Já não é mais novidade para a comunidade da escola voltar no sábado das campeãs ou mesmo ficar em segundo lugar. Queremos o titulo, só isso nos basta.

iG: Florianópolis foi um tema proposto pela presidência. Isso te incomoda?
CAHÊ RODRIGUES: É claro que todo carnavalesco quer fazer um enredo autoral. Mas aí vem o presidente com dinheiro e este é um argumento que não tenho como lutar. Florianópolis me assustou no começo mas, após passar três semanas por lá, voltei cheio de histórias que rendem bastante.

iG: Por que optou pelo lado místico e supersticioso da ilha?
CAHÊ RODRIGUES: Queria fugir do óbvio, que os enredos sobre cidades acabam causando. Floripa é a ilha da magia, muito além das suas belezas naturais. Vamos pôr os caldeirões da bruxaria para ferver na Avenida!

iG: Ano passado, você foi bastante criticado por causa do enredo sobre uma cervejaria. Como reagiu a isso tudo?
CAHÊ RODRIGUES: Fomos julgados antes do desfile acontecer. Muito se falou sobre um desfile feito a partir do tema “camarote Número 1”. Isso me chateou, porque estramos na Avenida com a incerteza de que poderíamos perder pontos devido a um patrocínio que estava sendo colocado como ilegal pelo regulamento. Mas, curiosamente, fomos a única escola a ganhar dez de todos os jurados do quesito Enredo.

iG: Você diz que este ano não pretende arriscar “para não correr o risco de perder o carnaval”. Será um desfile tradicional?
CAHÊ RODRIGUES: Vamos ousar, mas sem riscos. Estamos fazendo um carnaval mais maduro, medindo os riscos de segurança em cada setor da escola.

iG: Quanto vai custar este desfile? De onde vem todo este dinheiro?
CAHÊ RODRIGUES: Cerca de R$ 9 milhões de reais, o mais caro que já fiz. Não tem nada de patrocínio público, são todas as verbas de empresas privadas locais que se interessaram pelo enredo.

iG: Que ponto do desfile você destacaria?
CAHÊ RODRIGUES: O começo será bem impactante, com muitas bruxas. Mas são bruxas do bem, representam a proteção da “ilha da magia”. Não são para assustar ninguém. Só as escolas rivais (risos).

iG: Você é místico?
CAHÊ RODRIGUES: Tenho bastante fé. Neste caldeirão da Grande Rio estou fazendo uma receita com a alegria do povo, a energia da comunidade, uma pitada de sorte e amor pelo samba.

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