Governo do Rio extingue delegacia especializada em armas

Apesar das inúmeras apreensões de fuzis e metralhadoras, Estado alega que unidade apresenta baixo número de ocorrências

iG Rio de Janeiro |

Apesar das inúmeras apreensões de armas de guerra nas favelas, como fuzis e metralhadoras antiaéreas, e de uma recente CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) para investigar o tráfico de armas, o governo do Rio de Janeiro decidiu extingir a Drae (Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos) em decreto publicado na última quinta-feira (29) no Diário Oficial.

Segundo o texto do decreto, a Drae será extinta por causa do baixo número de ocorrências. De acordo com o governo, as investigações sobre a apreensão de armas e munições se disseminaram entre outras delegacias e não se justifica manter o aparato estatal despendido para a manutenção física da Drae.

O Diário Oficial informou que as atribuições anteriormente estabelecidas para a Drae passarão a integrar a esfera da atuação de outras unidades da Polícia Civil.

A Drae foi responsável, nos últimos anos, por inúmeras investigações que resultou na prisão de importantes fornecedores de armas para traficantes do Rio. Em 2009, por exemplo, capturou os traficantes conhecidos como Cabeça e Tubarão no Paraguai. A dupla tinha planos, na época, de enviar para a capital fluminense cerca de 90 fuzis.

No mesmo ano, também conseguiu prender o traficante Antônio Jorge Gonçalves dos Santos, o Tony, conhecido como 'Senhor das Armas', quando ele passeava em um shopping de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Por meio de Tony, cerca de 500 armas chegavam anualmente aos traficantes cariocas.

Após a Operação Guilhotina da PF (Polícia Federal) do início deste ano, quando mais de 30 policiais civis e militares foram presos suspeitos de corrupção, a Drae começou a perder força. O criador da delegacia, o delegado Carlos Antônio de Oliveira que, na época era subchefe operacional da Polícia Civil, foi um dos presos, e o então chefe de investigação da delegacia, o inspetor Cristiano Fernandes, também foi detido acusado de ligação com uma milícia.

Além da Drae, foi extinta também, pelo mesmo motivo, a DRCCSP (Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública).

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