"Gelson não ouviu um disparo bater na árvore e não se abaixou", diz PM

Policial que estava com cinegrafista na hora em que ele foi atingido narra o fato

Anderson Ramos, especial para o iG |

O policial militar do Batalhão de Choque que estava ao lado do cinegrafista da TV Bandeirantes Gelson Domingos , que morreu no último domingo (6) durante uma operação policial na Favela de Antares, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio, relatou ao iG nesta segunda-feira (7) como ocorreu a situação que levou o profissional à morte.

Leia também: Comandante da PM quer mudar critério de coberturas jornalísticas

Pedro Kirilos/ Agência O Globo
Repórteres se abraçam no velório do cinegrafista Gelson Domingos da Silva
"O primeiro tiro bateu na árvore. Acho que ele [Gelson] não ouviu o disparo e não se abaixou. Quando os bandidos atiraram novamente, eu já vi o Gelson caído. Só me restou efetuar novos disparos para que os colegas pudessem retirá-lo da favela", contou o policial durante o enterro do corpo do cinegrafista .

O PM, que se identificou apenas como cabo Gomes, disse que o tiro que acertou Gelson era para ele. "Foi uma das situações mais tensas que vivenciei na Polícia Militar. Foi muito complicado vê-lo deitado, praticamente morto. Gelson era um profissional muito dedicado. Por diversas vezes, realizamos trabalhos juntos", contou.

O relações-públicas da Polícia Militar, tenente-coronel Frederico Caldas, afirmou que é preciso reavaliar o papel da imprensa nas operações policiais . "Até que ponto vale a pena buscar a informação a qualquer custo", questionou. "Somos treinados e temos baixa. Profissional de imprensa não é treinado e agora ocorreu essa tragédia. É o primeiro profissional que morre em um confronto no Estado do Rio. Ele [Gelson] era uma pessoa muito querida e conversava diariamente com os policiais", afirmou o oficial.

Assista o vídeo do momento exato em que o repórter foi baleado:


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