Frentista abraçou bomba de gasolina e segurou freezeres na água

Rapaz viu cinco carros serem arrastados pela inundação e abrigou motoristas, que amarraram seus veículos nos outros na Praça da Bandeira, no Rio

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Fabrizia Granatieri
No escuro e com a água no umbigo, Françuiles segurou uma bomba de gasolina e os freezeres para a chuva não levar
O frentista Françuiles Pascoal não dormiu esta noite. Quando viu a onda de água do Rio Maracanã invadir o posto Minipraça, na Praça da Bandeira, às 21h, tampou os tanques de combustíveis, isolou as bombas, parou o abastecimento, desligou a energia e falou para as duas colegas subirem para o segundo andar do escritório.

A partir daí, sem lanterna e com o auxílio da luz do celular, Françuiles viu cinco carros serem arrastados pela chuva, lutou com a água na altura do umbigo para abraçar uma bomba de gasolina e segurar os freezeres com bebidas que teimavam em querer ir embora, boiando com a inundação. “Foi muito sinistro. A água é muito forte, levava tudo o que estava pela frente, ouvi que um rapaz morreu afogado ali na frente”, disse. De fato, um corpo foi encontrado na região.

“Peguei os freezeres pela tomada e consegui segurar a bomba. Perdemos muito óleo. Nossa sorte com os freezeres foi que oito carros estacionaram aqui e impediram a saída”, contou Françuiles, 22 anos e oito meses na função.

Françuiles subia e descia em meio à água, enquanto abrigava no escritório motoristas que pediam socorro. Dois deles usaram cordas para amarrar os carros um no outro para evitar que fossem arrastados. Contando só com a luz dos celulares, cerca de dez pessoas – entre funcionários e pessoas que chegaram ao posto – passaram a noite ali, dividindo biscoitos e refrigerantes.

Peixes no local

Fabrizia Granatieri
A chuva e o alagamento levou pequenos peixes de rios próximos para as ruas
Funcionários de outros postos e do lava-jato de mesmo dono foram ontem ao Minipraça para ajudar na limpeza e no conserto de bombas. Até esta tarde, ainda era possível encontrar alguns pequenos peixes no local. Havia muita lama e lixo ao redor. Água saía em grande quantidade pelo ladrão de um edifício na Praça da Bandeira.

A região é sempre afetada por chuvas fortes. No ano passado foi semelhante, contou o dono do posto, Sérgio Fernando Carneiro. “Em oito anos aqui, já vivi esta situação pelo menos quatro vezes”, disse.

Do outro lado da rua, no posto Bracarense, um dos carros que navegavam pela Radial Oeste – via que liga a zona norte ao centro – bateu em uma bomba de gasolina, amassando-a. As três bombas de gás natural ficaram danificadas e não estavam funcionando no início desta tarde. Três instaladores de bombas de combustíveis faziam reparos em outras duas, de gasolina. As águas e, possivelmente, carros também danificaram muitos painéis de plástico dos postos, com anúncios dos preços dos combustíveis.

Nesta tarde, o trânsito na região, normalmente já de grande fluxo, estava bastante intenso, com engarrafamento de cerca de 2 km no sentido Centro.


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