Feira no Rio mostra variedade de tatuagens

Oração de São Francisco, Ayrton Senna, deuses e demônios tatuados, entre outros motivos, disputam concurso neste domingo (24)

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro | 24/04/2011 12:34

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Dragões, figuras orientais e tribais ainda estão entre as principais escolhas na hora de se fazer uma tatuagem. Mas um passeio pela Expo Life for Tattoo, no Clube Monte Líbano, na zona Sul do Rio - que será palco de um concurso de tatuados neste domingo (24) - revela que a arte milenar reserva sentimentos, cores e motivações de todos os tipos.

Devota de São Francisco de Assis, a empresária Ana Paula, 33 anos, expressa na própria pele seu amor pela mensagem do santo. “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz”, tatuou no pescoço. O restante da oração mais famosa de São Francisco não pode ser citada por falta de espaço no corpo todo, tatuado com estrelas, personagens de desenhos animados, como o gato Garfield, e outros tantos motivos. Mas ela cita o trecho:

“Onde houver ódio que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé”.

Foto: Léo Ramos

Alessandra: entendo a tatuagem como uma forma de expressão da arte

Na alegria e na dor

O marido de Ana Paula, o tatuador Ratto, mostra que a prática da tatuagem, além de revelar crenças, personalidades e estilos, tem sido usada para expressar momentos de dor e alegria. Ele tatuou o irmão em si mesmo porque ficou feliz em reencontrá-lo, após 3 anos. A cachorra de estimação também foi estampada em seu corpo depois que morreu.

Ratto tem tatuagens espalhadas por todo o corpo e na metade do rosto. As imagens dos entes queridos e da mulher dividem espaço com teia de aranha, demônios, deuses orientais e outras figuras. E ele ainda cogita tatuar a outra metade do rosto, última parte do corpo livre de tatoos. “É que dá um vazio ver essa parte de mim sem nada”, diz.

Foto: Léo Ramos

Metalinguagem: tatuadora exibe no peito sua paixão, que é a biqueira usada no trabalho

Foi preenchendo vazios com pequenas tatoos nas costas que a analista de marketing Evani Barros Vicente chegou à conclusão de que ficaria bem com uma grande tatuagem no lugar das menores. Trocou um templo, plantas e flores pela enorme Fênix, passáro da mitologia grega que simbiliza imortalidade. “Sou igualzinha à Fênix porque eu renasço das cinzas, me identifico com ela”, conta Evani.

Paixão pelo trabalho

A tatuadora americana Michele Helmer estampou em seu peito, realçada pelo decote, sua paixão. E não é um namorado, ou filho, nem crença. A figura tatuada é uma biqueira usada para fazer tatuagens, seu objeto de trabalho. “Minha paixão está no meu trabalho”, afirma ela, que viaja frequentemente para levar seu talento ao resto do mundo.

Na feira, Ronaldo Pimenta, 41 anos, decidiu tatuar o piloto Ayrton Senna nas costas. A morte do atleta não o apagou de sua memória. “Até hoje me emociona o jeito dele de se comportar como pessoa e como profissional”.

Foto: Léo Ramos

Evani tatuou a Fênix nas costas: "sou igualzinha porque renasço das cinzas"

O tatuador Kako, que também participa da feira, afirma que a prática da tatuagem vem ganhando cada vez mais espaço na sociedade como arte viva e tendência de moda. “Até pouco tempo atrás, era vista como rebeldia e associada à marginalidade. As tatoos eram pequenas, discretas. Nos últimos 10 anos, elas são maiores e procuradas por um público bem maior”.

A capixaba Alessandra Vieira, 19, afirma que os motivos que a levaram a fazer sua primeira tatuagem não são mais os mesmos de hoje. “Quando eu era mais nova, fiz por vaidade, para ficar mais bonita, mais sexy. Hoje faço porque gosto da arte, entendo a tatuagem como uma forma de expressão da arte”, define.

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