Favelas mais perigosas do Rio não têm UPP prevista

Centros de distribuição de drogas, Maré, Alemão e Penha repassam entorpecentes pelo método ¿dominguinho¿, em pequenos volumes

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Importantes centros de distribuição de drogas e três dos mais violentos conjuntos de favelas do Estado do Rio, os complexos da Maré, Alemão e Penha não terão UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) antes de 2011, segundo a Secretaria de Segurança Pública.

É para essas favelas que são enviadas grandes cargas – a partir de 500kg, chegando a uma ou duas toneladas – pelos “matutos” (atacadistas), para serem redistribuídas a outras comunidades da mesma facção. A partir daí, a droga é levada em pequenas quantidades, pelo chamado “tráfico dominguinho” (jargão policial para esse tipo de transporte, normalmente feito por mulheres e idosas, para não chamar a atenção).

“É como se esses locais fossem a matriz de uma empresa, representada por cada facção, e as favelas menores suas filiais. Há uma logística. São empresas ilegais”, explicou ao iG o delegado Ronaldo Oliveira, diretor de Polícia da Capital.

AE/WILTON JUNI0R
Policiais fazem operação no Complexo da Maré, no último domingo
Apesar do papel fundamental na rede de alimentação de morros menores e da violência das ações por seus traficantes, o tamanho das comunidades e o grande número de vias de acesso são fatores que dificultam a ocupação tática da Polícia Militar, que tem déficit de pessoal. Hoje são menos de 40.000 PMs; o governo tem autorização da Assembléia Legislativa para chegar a 60.000 até as Olimpíadas de 2016.

As favelas do Parque União e da Nova Holanda, na Maré, foram alvo de operação da Polícia Civil no domingo, mas a Secretaria de Segurança não tem até o momento nenhuma previsão de ocupação dos maiores e mais violentos complexos de favelas do Rio. Faltam policiais militares, e o plano tem como horizonte final só 2014, ano da Copa do Mundo. O objetivo do governo do Estado para este ano é usar UPPs para estabilizar a área da Grande Tijuca (zona norte).

Perguntado sobre possível UPP na Maré, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, respondeu vagamente, dizendo que “está planejada e vai acontecer a seu tempo”.

Em uma posição geográfica privilegiada – com acessos às linhas Vermelha e Amarela e à Avenida Brasil –, o complexo da Maré se notabilizou pelos roubos de carros e outros crimes violentos, os chamados “bondes”, nas redondezas, até a Ilha do Governador.

De acordo com o delegado Ronaldo Oliveira, uma importante atividade no orçamento dos traficantes da Maré é emprestar armas a ladrões das favelas, mediante comissão de 10% a 20% do produto de assaltos e sequestros de carros, com pedido de resgate.

Esse complexo de favelas tem a peculiaridade de congregar entre suas 16 comunidades as três principais facções de criminosos do Rio.

Embora os “bondes” sejam feitos pelos três grupos, uma facção é a que age com mais violência e agressividade, segundo a polícia. O motivo da operação de domingo foi combater esse bando e prender seu líder, Ivanildo dos Santos, o Pitoco, morto pela polícia.

Uma medida da Secretaria de Segurança para tentar minimizar esse tipo de atuação dos criminosos da Maré será mudar para a área as sedes das duas principais unidades operacionais da PM e da Polícia Civil, o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e a Core (Coordenadoria de Recursos Especiais). O Bope ocupará o antigo quartel do Batalhão de Infantaria Blindada (BIB) do Exército, em Bonsucesso; a Core vai para Guadalupe (zona norte), de onde pode se deslocar com velocidade para as zonas norte e oeste. A expectativa da secretaria é que a presença e circulação constante de policiais de elite reduzam esse tipo de crime.

AE/WILTON JUNIOR
Helicóptero da Polícia Civil sobrevoa o conjunto de favelas da Maré durante ação contra o tráfico

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