Falsa psicóloga se entrega à polícia no Rio

Tribunal de Justiça decretou a prisão preventiva da suspeita e de seu marido

iG Rio de Janeiro |

A falsa psicóloga Beatriz da Silva Cunha, de 32 anos, se entregou no final da noite desta segunda-feira (23) à Delegacia do Consumidor (Decon), na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. Ela chegou ao local por volta das 23h acompanhada de seu advogado. As prisões preventivas de Beatriz e de seu marido, Nelson Antunes de Farias Júnior, de 37 anos, já haviam sido decretadas à tarde pelo Tribunal de Justiça do Rio.

Agência O Globo
Falsa psicóloga teve a prisão preventiva decretada pelo TJ-RJ
Nelson foi preso no apartamento do casal, em Botafogo, também na zona sul da capital fluminense. No imóvel, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão. Beatriz e o marido são acusados de estelionato e de cometer crimes contra as relações de consumo. A falsa psicóloga também é acusada de falsidade ideológica.

O juiz Alcides da Fonseca Neto, da 11ª Vara Criminal da Capital, acolheu a denúncia do Ministério Público com fundamento na garantia da ordem pública. Para ele, os crimes atribuídos ao casal são graves e suas consequências abalaram a ordem pública.

De acordo com a denúncia do MP, Beatriz se fez passar por psicóloga pós-graduada e especializada no tratamento de crianças autistas, sendo que sequer possui o curso de psicologia. Já Nelson era responsável pela administração da empresa, denominada Cenacomp, constituída para o atendimento dos pacientes.

“Os injustos culpáveis atribuídos aos dois acusados trouxeram enorme comoção e imensa repercussão no meio social carioca, haja vista que foram diversas as famílias atingidas quando entregaram, por erro, seus filhos, portadores de autismo, aos cuidados da ré, sempre escorada por seu marido, uma vez que propagavam as maravilhas de um tratamento diferenciado para os quais a acusada não estava nem de longe preparada”, disse o magistrado na sua decisão.

Beatriz vai prestar depoimento na Decon nesta terça-feira (24). O marido dela deve ser transferido para a carceragem da Polinter até o final do dia.

Relembre o caso

Beatriz da Silva Cunha, de 32 anos, foi presa pela Polícia Civil no dia 27 de abril suspeita por atuar como psicóloga especialista em crianças com autismo em uma clínica em Botafogo, na zona sul do Rio. Ela não possui a formação acadêmica para exercer a profissão.

Os agentes chegaram até a suspeita por intermédio de pais de um dos pacientes. Depois de oito meses de tratamento, eles pediram um recibo com o número do registro da suposta psicóloga para o Imposto de Renda. Ao verificarem o número no Conselho Regional de Psicologia, eles foram informados que o cadastro estava cancelado.

Em seguida, os pais voltaram à clínica para saber o que havia acontecido e, na ocasião, Beatriz forneceu outro número do registro de outra psicóloga. A suspeita trabalhava na unidade há dois anos e atendia cerca de 20 crianças por dia. Cada hora da consulta custava R$ 80. A estimativa é que 60 crianças estavam matriculadas na clínica.

Para confirmar a ilegalidade, policiais se disfarçaram de clientes durante dois meses e passaram a monitorar o trabalho da suposta psicóloga. A falsa psicóloga chegou a ser presa duas vezes desde abril, mas foi solta por ordem da Justiça . Segundo as investigações, ela também usava métodos violentos para forçar as crianças a comerem.

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