Polícia vai indiciá-la pelo crime de tortura. Suspeita conseguiu convênios públicos para seu trabalho

A falsa psicóloga que foi presa na semana passada em uma clínica de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, foi solta na última sexta-feira (29) por determinação da Justiça, que lhe concedeu o benefício da liberdade provisória.

A Polícia Civil tenta reunir provas agora para encaminhar ao Ministério Público Estadual e a Justiça afim de que seja decretada a prisão da mesma, identificada como Beatriz da Silva Cunha. Ela atuava irregularmente na profissão desde 1998 e teria atendido, desde 2009, pelo menos 70 crianças, a maioria delas com autismo.

O delegado Maurício Luciano de Almeida, titular da Decon (Delegacia do Consumidor) afirmou que, mesmo não sendo profissional, ela conseguiu convênios da Marinha e a Aeronáutica para a sua clínica, em Botafogo, que foi fechada.

Beatriz já foi indiciada pelos crimes de exercício ilegal da profissão, estelionato, falsidade documental e até mesmo propaganda enganosa já que mantinha um site divulgando a sua clínica e informando que ela tinha título de doutora.

Maurício informou que vai indiciar Beatriz também pelo crime de tortura. Segundo ele, há informações de que ela agia com violência contra as crianças para forçá-las a comer.

"Estamos apurando situações em que ela (Beatriz) determinava que as terapeutas colocassem a comida goela abaixo nas crianças", afirmou.

Delegada descobriu fraude

Os agentes chegaram até a suspeita por intermédio de uma delegada, que teve o filho atendido por ela durante seis meses.

A policial desconfiou do número de registro da suspeita que estava impresso em um recibo, decidiu investigar e descobriu que o documento era falso.

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