Exército usa vídeos contra tráfico do Alemão na ‘guerra de comunicação'

Tropa começou a filmar patrulhas e ações de criminosos para provar atividade criminosa, obter informações de qualidade e resguardar a tropa contra acusações

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

O Exército passou a usar vídeos filmados pela Força de Pacificação nos Complexos do Alemão e da Penha para ajudar a ganhar a “guerra de comunicação” contra os traficantes locais. As patrulhas diurnas e noturnas passaram a ter sempre um de seus integrantes portando câmeras de vídeo para registrar a atuação do grupamento, durante o patrulhamento nas favelas.

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Marcelo Piu/ Agência O Globo
Segundo o general Tomás, ataques à tropa têm sido frequentes no Alemão
A medida pretende expor para a sociedade e a comunidade das favelas que os criminosos continuam no local, atuando em desafio à ocupação militar-policial. Um dos objetivos é conquistar corações e mentes . Os vídeos também servem para mostrar como é frequente a hostilidade de parte da população – em muitos casos de crianças e adolescentes – contra a tropa do Exército.

O iG exibe alguns desses filmes com exclusividade. “Passamos a produzir imagens para subsidiar a operação e resguardar a tropa”, explicou à reportagem o general-de-brigada Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, comandante da Força de Pacificação e idealizador do emprego das câmeras.

"Buscamos a superioridade, o domínio de informações, com comunicação social, inteligência e assuntos civis. As forças adversas têm sistema de informações", disse o general.

As imagens mostram ainda a existência de barricadas e de um sistema improvisado de comunicações do tráfico para alertar os comparsas da presença de soldados, com campainhas, piscar de luzes e rádios de comunicação.

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Uma preocupação do Exército é evitar suspeitas de agressões e tortura da tropa a moradores. No dia da visita do príncipe Harry ao Alemão , um rapaz afirmou ter sido preso, torturado por soldados da Pacificação . Um inquérito policial-militar foi aberto para apurar o caso. Nesse mesmo dia, houve tumultos com manifestações em seis diferentes pontos dos complexos. Para o Exército, foi uma ação orquestrada do tráfico.

Os vídeos fazem parte ainda de uma estratégia de priorizar as ações de inteligência, para obter informações detalhadas da atuação das “forças adversas”, como os traficantes são chamados no jargão militar. Esse material está sendo repassada à Polícia Militar, que passa a assumir algumas regiões para a implantação de UPPs .

Em fevereiro e março foram filmadas inúmeras situações em que os militares são alvejados por pedras, garrafas, tijolos. Também são comuns os casos de crianças provocando soldados fazendo símbolos de facções criminosas do Rio.

Em um vídeo, um menino pequeno, de cerca de 6 anos, ameaça soldados em um beco. “Vou tacar pedra, meu amigo! Tu vai dar tiro, vai arrumar um problema sério! Vai arrumar um problema sério”, diz o garoto a um militar.

“Aqui ainda há uma cultura do tráfico muito forte”, afirmou o general Tomás. Ele mesmo já foi alvejado por tijolos e pedras em patrulhas de madrugada.

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