Exército instaura inquérito sobre crime em parada gay

O Exército instaurou um inquérito para apurar o suposto envolvimento de soldados na tentativa de homicídio de estudante

AE |

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O Exército instaurou, nesta terça-feira (15) hoje um Inquérito Policial Militar para apurar o suposto envolvimento de soldados na tentativa de homicídio contra o estudante D.I.M.L., de 19 anos.

Militares do Forte de Copacabana são os principais suspeitos de balear o rapaz no Parque Garota de Ipanema, na zona sul do Rio, na madrugada da última segunda-feira, após a Parada do Orgulho Gay.

O Comando Militar do Leste apresentará na quinta-feira na 14ª Delegacia de Polícia, do Leblon, os 30 militares de serviço e as fardas utilizadas, para o reconhecimento da vítima. Não está descartada, porém, a hipótese de que os agressores sejam policiais militares, pois as fardas "azuladas" descritas pela vítima são semelhantes às utilizadas pelos integrantes do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

De acordo com relatos de amigos da vítima, são corriqueiras extorsões contra gays no parque. Após flagrar os homossexuais namorando, homens fardados ameaçam telefonar para as famílias das vítimas e exigem dinheiro em troca do silêncio.

D. disse que foi baleado por um homem moreno, baixo e que falava com a língua presa. O criminoso usava uma pistola prateada. O grupo de 15 rapazes foi abordado no parque por três militares, por volta das 22h15. Armados, eles batiam nas vítimas, exigiam documentos e ameaçavam denunciá-las às famílias. D. foi abordado por dois militares. Levou tapas e teve uma pistola apontada contra a sua cabeça.

"O militar perguntou se meu pai sabia o que eu estava fazendo. Eu respondi que sim. Ele disse que eu era uma desgraça para a humanidade, me empurrou no chão, sacou a arma e atirou. O outro gargalhava. Depois de atirar, ele me deu um chute e disse para eu vazar (ir embora)", afirmou o estudante. Segundo D., os militares saíram do local pela área militar, cuja divisa com o parque é feita por um alambrado corroído. A vítima andou baleada por 15 minutos até ser socorrida por policiais militares na Rua Farme de Amoedo, em Ipanema.

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