Ele atropelou quatro pessoas em Niterói no mês de agosto. Um homem morreu. Promotoria, no entanto, não pediu prisão preventiva

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou ao Tribunal do Júri de Niterói nesta terça-feira (11), o ex-coordenador da Operação Lei Seca e ex-subsecretário estadual de Governo para a Região Metropolitana Alexandre Felipe Vieira Mendes pelos crimes de homicídio doloso (quando há intenção de matar), três lesões corporais, sendo uma delas de natureza grave, e omissão de socorro.

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Mendes é acusado de ter atropelado quatro pessoas, em momentos distintos, na noite do dia 25 de agosto, em Niterói. Um homem morreu. O ex-coordenador da Lei Seca não parou para prestar socorro às vítimas e, horas depois do acidente, admitiu ter bebido vinho antes do fato.

Apesar da denúncia, o Ministério Público não pediu a prisão preventiva de Alexandre. No entendimento da Promotoria, não havia provas da necessidade da custódia, o que não impede que posteriormente venha a ser requerida, em caso de extrema necessidade.

No entanto, o MP requereu à Justiça a aplicação de outras medidas cautelares como o comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades, a proibição de manter contato, de qualquer natureza, com vítimas e testemunhas arroladas pela Promotoria na denúncia, a proibição de se ausentar das de Niterói, da capital e do país além da suspensão provisória da habilitação de motorista. Caso condenado, Alexandre poderá cumprir de três a até 30 anos de prisão, somando-se as penas pelos crimes imputados.

Zigue-zague

De acordo com a denúncia, distribuída à 3ª Vara Criminal, Mendes dirigia um Pajero, em “zigue-zague”, quando atropelou Silvana Braga de Souza e seus dois filhos, de 5 e 2 anos, em Itaipu, Região Oceânica da cidade. Na mesma noite, o denunciado atropelou Ermínio Costa Pereira, de 58 anos, que morreu de politraumatismo e traumatismo cranioencefálico.

Ainda segundo a denúncia, o ex-coordenador da Lei Seca deixou os locais dos acidentes sem prestar socorro às vítimas. Ele acabou batendo num poste e fugiu. De acordo com os laudos periciais e testemunhas ouvidas durante as investigações, foi constatado que Mendes dirigia em alta velocidade e sob efeito de álcool.

Alexandre apresentou-se à delegacia somente no dia seguinte aos atropelamentos, após quase 12 horas, no entender da Promotoria, justamente para dificultar a constatação de seu estado etílico pelo exame de alcoolemia. Seu estado foi posteriormente relatado pelas testemunhas.

Em depoimento prestado à polícia, o denunciado confessou ter ingerido bebida alcoólica, ao ponto de ter urinado e defecado nas calças, e ter atropelado Ermínio. Em seu relato, Alexandre chegou a afirmar que “não sabia se atingiu outras pessoas”.

“De acordo com as provas testemunhal, documental e pericial, assim como o próprio depoimento do denunciado, chega-se à conclusão de que os crimes foram cometidos de forma dolosa (dolo eventual), ou seja, quando o condutor assume o risco de causar o resultado, pois o denunciado previamente ingeriu bebida alcoólica, conduzia em zigue-zague e em velocidade incompatível, tanto que as fotografias constantes nos autos retratam as enormes avarias causadas em seu veículo, assim como o fato de que a colisão chegou a arrancar um poste de concreto de sua posição original. Se já não bastasse, o próprio denunciado confessou que sequer sabia se atingiu outras pessoas ”, afirmou o promotor Cláudio Calo, autor da denúncia.

 O MP determinou, ainda, a instauração de inquérito policial junto à 81ª DP para apurar a prática de crimes de tráfico de influência e favorecimento pessoal por parte de pessoas próximas ao denunciado na época do acidente.

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