Ex-chefe da Polícia Civil do Rio presta depoimento à Polícia Federal

Allan Turnowski é investigado sobre suposto vazamento de informações da Operação Guilhotina, comandada pela PF

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

O ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Allan Turnowski, presta depoimento nesta quinta-feira (17) no terceiro andar da sede da Polícia Federal, na zona portuária da capital fluminense. Ele chegou ao local por volta das 15h30 e o depoimento teve início às 16h, segundo confirmou o superintendente da PF, Ângelo Gioia.

Agência O Globo
Turnowski presta depoimento à Polícia Federal
Turnowski presta esclarecimentos sobre o suposto vazamento de informações da Operação Guilhotina , da Polícia Federal, a agentes suspeitos de corrupção. Ele afirma que desconhecia a ação da PF e que, portanto, não poderia ter alertado o inspetor Christiano Gaspar Fernandes, preso no último sábado.

O ex-chefe da Polícia Civil alegou que, durante a investigação da PF, em 2010, foi informado por um policial federal que uma escuta telefônica havia registrado a prisão de um criminoso por Christiano. Ele teria entrado em contato com o inspetor para pedir que o preso fosse levado à delegacia. Turnowski disse que acreditava que o telefone do bandido estava grampeado, e não a linha do policial.

Acusações

Em depoimento à Corregedoria Interna da Polícia Civil, o delegado Claudio Ferraz, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), afirmou que um helicóptero e carros blindados da corporação seriam usados em operação na favela da Coreia (zona oeste do Rio), com o conhecimento de Turnowski, para ajudar milicianos a tomar a comunidade. O depoimento foi obtido em primeira mão pelo iG .

Segundo o delegado, a ação ocorreria sob a aparência de legalidade, com a existência de um inquérito policial. “Tudo estava de acordo com os trâmites legais, visto que existia inquérito policial instaurado e que seriam empregados diversos homens e viaturas oficiais, com o apoio inclusive do veículo blindado e do helicóptero da PC e que, paralelamente a essa diligência oficial, também seriam escalados milicianos para a tomada do território, armas e dinheiro dos criminosos”, afirmou Ferraz.

Afastamento

Turnowski deixou a chefia da Polícia Civil três dias depois da Polícia Federal ter deflagrado a Operação Guilhotina . A ação desarticulou um grupo criminoso formado por policiais civis e militares acusados de envolvimento com tráfico de drogas, de armas e de munições, além de atuação em milícias, na segurança de pontos de jogos clandestinos e na venda de informações sigilosas.

Entre os presos está Carlos de Oliveira, homem de confiança de Turnowski, que comandava a Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae). O ex-chefe da Polícia Civil chegou a ser interrogado por policiais federais, na condição de testemunha.

Na ocasião, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame enfatizou que Turnowski contava com sua total confiança. "Não vou fazer julgamento precipitado. Vou escutar os esclarecimentos dele e, se for o caso, tomaremos as medidas cabíveis ao seu tempo", afirmou.

*com reportagem de Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro

    Leia tudo sobre: operação guilhotinaallan turnowski

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG