Etapa social das UPPs anda em marcha lenta no Rio

Demora do projeto é decepção para moradores do Morro dos Macacos

AE |

selo

Nem tão bem quanto gostaríamos, nem tão mal como antes." A frase é carregada de mágoa, mas desprovida de rancor. José Lins Filho, de 58 anos, nascido e criado no alto do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, zona norte do Rio, resume a decepção dos moradores da favela. Um ano após o lançamento da UPP Social, as melhorias do programa que é o passo seguinte à ocupação policial do morro chegam em doses homeopáticas. 

A promessa da prefeitura é levar às favelas pacificadas os serviços públicos das áreas de ocupação formal, mas a avaliação geral nessas comunidades é que o ritmo está muito lento. O projeto - não por acaso batizado com a sigla da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) - prevê investimentos de R$ 1,1 bilhão até 2012. 

Das 12 favelas onde a UPP Social se diz presente, a situação mais crítica é a do Macacos, mas até no Morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul - a mais antiga das 17 UPPs, com quase 3 anos -, ainda corre esgoto a céu aberto. Nesse item, a vida real das comunidades mudou muito pouco. 

Em maio, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, reclamou da demora na chegada de investimentos sociais às UPPs. "Nada sobrevive só com segurança. É hora de investimentos sociais", disse, na ocasião. 

A questão do lixo é crucial. O secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Roberto Osório, diz que a prefeitura investiu R$ 9 milhões em uma logística de coleta específica para favelas, que tem custo mais elevado. Inaugurada no Complexo do Alemão, por enquanto só chegou a duas UPPs (Borel e Andaraí). 

O Alemão é a exceção nesse ponto, após investimentos de R$ 725 milhões ao longo de três anos, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento. Nesse morro, a coleta de lixo é quase tão boa quanto no asfalto e não há esgoto nas ruas.

Além de um teleférico que liga o morro à estação de trem, a comunidade também recebeu escola, Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e posto de Justiça para intermediar conflitos.

    Leia tudo sobre: NACIONALGERAL

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG