Estilista Frankie vai a júri por assassinato de companheiro Amaury

Desembargadores negaram absolvição sumária e suspensão do processo. Com a prisão cautelar decretada, acusado vive na Argentina e alega insanidade

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

O estilista Frankie Mackey será julgado em júri popular, pela morte de Amaury Veras, seu companheiro e sócio na grife Frankie Amaury, em 2004, segundo decisão da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. Os desembargadores mantiveram a pronúncia – aceitação da denúncia do Ministério Público – do juízo de 1º grau, que determinara o júri. O iG acompanhou o julgamento do recurso da defesa de Frankie.

Frankie tem a prisão cautelar decretada e está vivendo em seu país de origem, a Argentina, desde 2005. Ele tinha recorrido ao tribunal pedindo absolvição sumária e a suspensão do processo até outubro, por suposta insanidade mental. Todos os pleitos da defesa foram negados por unanimidade.

Amaury foi morto entre as 22h de 1º setembro de 2004 e as 6h30 do dia seguinte, em casa, em Ipanema, zona sul do Rio, onde vivia com Frankie. De acordo com o laudo, ele recebeu um forte golpe frontal que fraturou ossos da base do crânio e deu origem a um edema cerebral, antes de ser asfixiado, o que causou sua morte.

'A versão de suicídio foi derrubada pela perícia', diz relatora

Frankie alega ter acordado no dia 2 e visto o companheiro enforcado com uma écharpe, em casa. “Ele apresentou a versão de suicídio, mas essa versão foi derrubada pela perícia, que disse que foi homicídio. Frankie estava na mesma casa, mas diz não saber o que aconteceu. Há indícios e compete ao júri decidir”, disse a desembargadora Rosa Helena Guita, relatora do recurso.

Para o MP, a morte foi por meio cruel e recursos que impossibilitaram defesa – forte pancada na fronte e a redução do nível de consciência, por estar sob o efeito de remédios.

Os advogados do estilista alegaram ter tido a defesa cerceada. Eles não contestam ter havido homicídio, embora a primeira versão de Frankie ter sido a de que o companheiro se suicidara. Em sua sustentação oral, o advogado Luciano Saldanha Coelho afirmou que o MP presumiu seu cliente como o assassino “por exclusão”, embora sem provas, porque ele era o único a estar no apartamento.

Também argumentou e reapresentou laudos informando que Frankie sofreu cirurgia em um braço devido a um acidente e seria incapaz de erguer o corpo de Amaury até a altura em que foi encontrado, pendurado, enforcado. “Ele não consegue levantar peso de mais de 40kg, portanto seria impossível ele levantar Amaury”, disse.

Frankie foi passar festas em seu país e não voltou mais

Rosa Helena Guita afirmou que o acusado foi passar festas de fim de ano na Argentina e nunca mais voltou ao Brasil – embora soubesse ser suspeito do crime – alegando problemas de sanidade mental, apoiado em laudos da Justiça argentina. Para ela, o exame argentino não substitui um brasileiro, impossibilitado pela ausência do réu.

Os desembargadores afirmaram que o caso é complexo, tem muitas nuances e dúvidas e é um processo “tipicamente de júri”.

Para o advogado de Frankie Mackey afirmou que ele continua na Argentina porque está aconselhado por médicos a não sofrer nenhum tipo de pressão, porque pode piorar sua condição de saúde.

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