'Estamos em guerra', diz chefe do Estado-Maior da PM

170 homens Bope fazem megaoperação com apoio de 80 fuzileiros navais no Complexo da Penha, onde bandidos armados se concentram

Anderson Ramos, especial para o iG |

Cerca de 20 viaturas da polícia civil, das delegacias especializadas, subiram a Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio, para reforçar a ação coordenada da Marinha e de agentes do Bope (Batalhão de Operações Especiais Policiais), que começou no início da tarde. Pela manhã, já havia concentração da polícia no local.

Criminosos colocaram carros e caminhões em vários acessos à favela e incendiaram barricadas com carros incendiados por traficantes, para dificultar a incursão dos agentes.

Rajadas de tiros são escutadas a todo momento, e há feridos levados para o hospital Estadual Getúlio Vargas, que fica a cerca de um quilômetro da localidade.

 A Marinha cedeu 13 veículos blindados e dois caminhões. Ao todo, são 170 homens do Bope e 80 fuzileiros navais. Veja imagens dos blindados chegando à Vila Cruzeiro.

Presente na megaoperação, o chefe do Estado-Maior da PM, comandante Álvaro Garcia, afirmou que "estamos em uma guerra". De acordo com  ele, os blindados da Marinha ajudam na transposição das barricadas montadas pelo tráfico. “A gente tem informações de que vários caminhões e ônibus, além de óleo na pista, estão sendo usados pelos marginais”. O comandante, porém, descartou o uso da metralhadora .50. "Estamos numa guerra, mas neste nível não", avaliou.

Diante dos confltos que aterrorizam os cariocas, Garcia pediu que a população não saia de casa nesta quinta-feira (25).

AE
Veículos blindados são levados por policiais do Batalão de Operações Especiais (BOPE) ao Complexo de Favelas da Vila Cruzeiro, no Rio

É a primeira vez que blindados são trazidos a operação no Rio

O iG apurou que os blindados são de modelo M-113 e nele cabem 12 homens. Também estãos endo utilizados Carro Largarta Anfíbios (Clanf). As viaturas blindadas servem para transporte de tropas e transposição de obstáculos. Policiais do Bope ocuparão os veículos durante toda a operação. É a primeira vez que equipamento deste tipo é utilizado pelas forças de segurança no Rio de Janeiro.

O comboio da polícia, com mais de dez veículos do Bope, está lá desde hoje pela manhã. O clima é de tensão. Dois tratores do Bope ajudaram a derrubar barricadas construídas pelo tráfico nos acessos à favela. Caminhões de lojas de eletrodoméstico em chamas são utilizados pelos bandidos para construir a barricada.

Moradores da região se dividem ao opinar sobre a atuação das forças de segurança

Morador da Penha há 20 anos, o comerciante Marco Aurélio Ferreira da Silva, 55 anos, apóia os ataques. “Já estava mais que na hora das forças armadas assumirem o papel da polícia. Eu nunca vi algo parecido, só em filme. Esse clima de guerra tem que acabar”, disse ao iG .

Já Maria Elizabeth da Silva, dona de casa, que foi pegar o filho de quatro anos mais cedo em uma creche na Vila Cruzeiro, disse estar apavorada. “Nunca vi algo igual. Meu marido não vai trabalhar há dois dias”, revelou.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, no turno da manhã desta quinta-feira, 17 escolas e 12 creches não funcionaram. Essas unidades, que atendem 12.414 alunos, estão localizadas, principalmente, na zona norte da cidade.

Além dos blindados, a Marinha cedeu à Polícia Militar armas, munições e óculos de visão noturna. A ajuda é resultado de pedido feito pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, ontem.

Agência O Globo
Operação policial na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio, nesta quinta-feira (25)
Além disso, cerca de cem homens da Polícia Civil fazem operação na favela do Jacarezinho, na zona norte. Segundo a corporação, sete suspeitos de tráfico de droga foram mortos.

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