Especialistas da Universidade de Kyoto ajudam a Região Serrana

Apesar do terremoto no Japão, professores do Centro de Referência em Redução de Desastres, ligado à ONU, atuam no Brasil

Flávia Salme, enviada a Teresópolis |

Na última quarta-feira (16) dois pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão, caminhavam sobre  pedras gigantestas que, arrastadas pelas águas, foram capazes de devastar um bairro inteiro. Hiroshi Fukuoka e Yosuke Yamashiki não estavam em seu país de origem - abalado por recente terremoto -, mas em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, um dos municípios mais destruídos pelas chuvas de janeiro. Eles integram o Centro de Referência em Redução de Desastres, órgão ligado à ONU, e realizam estudos geológicos na região.

Hélio Motta
O cônsul do Japão Takaharu Nagashima com o pesquisador Fukuoka: ajuda internacional

“Um dos membros da equipe precisou voltar ao Japão por causa do terremoto. Mas tenho orientações de apresentar ao governo japonês um relatório sobre a situação que encontrei aqui para que a gente possa ajudar”, explica Takaharu Nagashima, cônsul do Japão no Brasil. “Em consequência do terremoto, estamos sem energia e também precisamos de ajuda . Mas o Japão é muito forte, podemos colaborar com o Brasil” , diz.

Fukuoka e Yamashiki são engenheiros especializados em deslizamentos e enchentes. Nesta sexta-feira (18) eles apresentam um workshop sobre o tema na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Em seguida, promovem outra apresentação aos responsáveis pela Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil.

Hélio Motta
O coronel Souza Filho, assessor da Subsecretaria de Defesa Civil do Rio, acompanha o trabalho dos pesquisadores japoneses em Teresópolis
De acordo com o coronel Souza Filho, assessor da subsecretaria de Defesa Civil, os pesquisadores da Universidade de Tokyo colheram amostras do solo na Região Serrana que podem ajudar a desenvolver um sistema de alerta a fim de avisar a população local sobre futuros deslizamentos.

“Isso é importante. A gente com uma simples avaliação pluviométrica pode criar opções para retirar a população em risco, caso volte a ser necessário”, explicou o coronel. Segundo ele, o estudo não tem prazo para ser concluído. “Os pesquisadores também avaliam a possibilidade de a região ser novamente habitada. É um trabalho minucioso”, conclui.

A professora Nazareth Solino, mestre em toxicologia e colaboradora da Defesa Civil estadual, acrescenta que Fukuoka e Yamashiki pesquisam enchentes e deslizamentos “no mundo todo” e, em seguida, apresentam “ teorias e soluções ”. “Eles estudam o cenário do desastre e criam teorias. Esses estudos são avaliados pelos governos locais que, em seguida, analisam a viabilidade de implementá-los ou não. O importante agora é produzir conhecimento sobre essa área”, afirma Nazareth.

Pouco mais de dois meses após a tragédia que deixou mais de 900 mortos nas cidades de Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis – além de cerca de 300 desaparecidos e mais de 24 mil desalojados e quase 2 mil desabrigados – o cenário de destruição prevalece nestas cidades.

As prefeituras locais e os governos estadual e federal promoveram ações de acessibilidade e de contenção, mas a imagem da tragédia pouco mudou. Uma preocupação dos especialistas é com as pessoas que, sem abrigo e o aluguel social prometido pelas autoridades, voltam para suas casas atingidas pela enchente. “As áreas não estão seguras”, avalia o coronel Souza Filho.

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