Especialista diz que ainda é cedo para relacionar ataques a UPP's

Coordenador do Núcleo de Conflitos Urbanos da UFRJ diz que há desinformação dentro das facções e repercussão exagerada na mídia

Severino Motta, iG Brasília |

O coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflitos e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Michel Misse, disse ao iG que ainda é cedo para relacionar a onda de violência no capital fluminense com a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) nas comunidades cariocas.

Segundo ele, informações obtidas em campo mostram que até mesmo membros das facções ligadas aos ataques não sabem explicar o motivo dos crimes e sequer foram avisados sobre a queima de carros e ônibus.

“Informações que temos de áreas onde fazemos pesquisas mostram que membros das facções não sabem o que está acontecendo. Isso mostra que não é uma ação articulada, conjunta”, disse.

Sobre a relação das UPP’s com a onda de violência, Misse ponderou que nos últimos anos as Unidades vêm sendo instaladas sem que ondas de crimes sejam relatadas. Disse ainda que tais ações poderiam ser feitas durante o período eleitoral para desestabilizar candidaturas.

“O que está acontecendo é surpreendente. Até agora a polícia instalou as UPP’s sem resistência. Teve eleição e não existiram ataques. Depois de todo o processo isso ocorre? A situação está estranha e isolada”, disse.

O coordenador ponderou, contudo, que há fatos que ligam as UPP’s aos ataques, mas nada definitivo. “Dessa vez não fizeram reivindicações, não soltaram manifestos, não picharam palavras de ordem. No momento tudo é suposição, temos que aguardar pelo menos 15 dias para ter uma visão mais clara”, disse.

Por fim Misse disse que considera exagerada a cobertura da imprensa sobre a onda de violência. Ele comparou o caso do Rio com protestos na França, onde a queima de veículos, quando ocorre, é normalmente em número elevado.  “Dar essa dimensão para a queima de 15 só beneficia quem promove os ataques e quer medo e insegurança. Como seria a cobertura se fossem queimados cinco mil carros, como na França? Não haveria como noticiar de forma mais grave, pois o que há de mais forte já teria sido usado”.

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