Especialista alerta para risco de novos deslizamentos

Seis meses após as chuvas, não houve obras de contenção nem alternativas para remoção das famílias que vivem nas áreas de risco

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

O professor de Engenharia Civil da Universidade Federal Fluminense (UFF) Elson Nascimento alerta para a possibilidade de nova tragédia em Niterói. Seis meses após as chuvas, não houve obras de contenção nem alternativas para remoção das famílias que vivem nas áreas de risco em 28 pontos da cidade, segundo o Comitê de Mobilização e Solidariedade das Comunidades e Favelas de Niterói. A proximidade do período úmido, a partir de dezembro, preocupa moradores e especialistas.

“A cidade precisa de um plano de investimentos em contenção de encostas e drenagens, além de pontos de recolhimento de chuvas, para que possa haver um monitoramento”, afirma Nascimento.

O engenheiro é um dos autores de um mapeamento realizado em 2007 que identificou 142 pontos passíveis de obras, dos quais 28 registraram deslizamentos durante as chuvas.

As únicas obras de contenção de encostas em comunidades relatadas pela Prefeitura de Niterói estão sendo realizadas no Morro do Bumba e no Morro do Céu, com recursos do governo do estado. Também o Estado do Rio de Janeiro está A Prefeitura de Niterói está respondendo apenas pela desapropriação de áreas onde serão erguidos os condomínios.

Governo estadual investe em cinco mil moradias

Para realocar as pessoas que perderam suas casas, o governo do Estado anunciou investimentos da ordem de R$ 240 milhões na construção de novas moradias. Já transferiu 93 famílias do Bumba para um conjunto habitacional no bairro de Várzea das Moças, no mesmo município. Dos cofres do Estado estão saindo R$ 11 milhões para a construção de 180 unidades habitacionais no terreno da Viação Santo Antonio, no Viçoso Jardim. As obras já começaram e a previsão de conclusão é de seis meses.

“O governo está liberando R$ 225 milhões, do Programa Morar Seguro, para a urbanização e compra de 5 mil unidades habitacionais no Condomínio Sapê, projeto desenvolvido pela Prefeitura. As unidades seriam construídas dentro do Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, e compradas pelo governo do estado e repassadas aos desabrigados. Além das unidades, o condomínio terá Unidade de Pronto Atendimento, escola, ciclovia, áreas de lazer e sistema de transportes”, informa a Secretaria de Obras do governo estadual.

Natalícia da Silva e os três filhos aguardam uma das novas moradias. Foram soterrados pela lama que cobriu sua casa no bairro de Tenente Jardim, em Niterói. A renda que sustentava a família era gerada pelo marido, que morreu durante o episódio. Eles esperam pela moradia no abrigo disponibilizado pela Prefeitura, no bairro do Barreto.

Outros R$ 89,5 milhões desembolsados pelo Estado do Rio de Janeiro estão sendo direcionados para a contenção de encostas do Maquinho,

Hélio Motta
Governo está desembolsando R$89,5 milhões para a contenção de encostas do Maquinho, entre outras.Mas a placa indica apenas a atuação da Prefeitura, em letras grandes
o módulo comunitário do Museu de Arte Contemporânea (MAC), do Parque da Cidade e “em diversos outros pontos da cidade”. Com exceção do apêndice do MAC, a paisagem, porém, ainda não refletiu as outras obras. Importantes avenidas da cidade ainda expõem riscos, como a Estrada Fróes.

A dona da casa no localizada no meio das obras do Morro do Bumba, Ana Maria Monteiro, reclama dos projetos. “É inacreditável gastar tanto dinheiro com estas obras onde não tem gente morando, se há tanta contenção precisando ser feita ”.

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