Erro em prova põe concurso para soldado da PM do Rio sob suspeita

Segundo corporação, ao menos cinco candidatos teriam tido testes corrigidos com gabarito diferente. Recrutas serão usados em UPPs

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Formatura de mil policiais que passariam a atuar em UPPs, neste ano, no Maracanãzinho
Um erro em ao menos cinco provas do concurso para soldado da Polícia Militar do Rio causou polêmica e levantou suspeitas sobre a seleção às vagas para a corporação. Pelo menos cinco candidatos que apareciam como reprovados na primeira fase, o exame intelectual, surgiram na lista de aprovados divulgada pelo site da PM.

Nesta segunda-feira, o tenente-coronel Frederico Caldas, comandante do Centro de Recrutamento e Seleção de Pessoal (CRSP) e responsável pelo certame, confirmou o erro, após auditoria inicial. Ele disse que, por um motivo técnico ainda não identificado, esses testes foram corrigidos com o gabarito de outra prova – havia exames de diferentes letras. Assim, uma pessoa fez a prova A, mas a correção foi da B, por exemplo.

Segundo o oficial, os problemas já haviam sido corrigidos internamente, após recurso dos candidatos, o que os levou à lista de aprovados, mas seus cartões-resposta continuaram a aparecer online com as informações anteriores, não retificadas. Frederico Caldas informou que será feita uma auditoria “nome por nome” para corrigir eventuais falhas.

O iG teve acesso ao caso de Renata da Silva Santos, número de inscrição 0203036402, que fez prova na Unig (Universidade Grande Rio), em Nova Iguaçu. De acordo com o cartão exposto na internet, ela tirou zero – nota que a eliminaria – em três disciplinas: História do Brasil, Geografia do Rio de Janeiro e Direitos Humanos.

Reprodução
Cartão de respostas de candidata, que tirou três zeros e aparecia como reprovada
O edital informa que a nota zero em qualquer matéria é eliminatória. As outras notas também foram muito baixas: 1 em Sociologia e em Noções de Informática e 2 em Legislação de Trânsito. Seu melhor desempenho, levando em conta esse cartão, foi em Português, 4.

Entretanto na listagem oficial, Renata apareceu em 253ª entre as 10.287 mulheres aprovadas, que ainda disputam 800 vagas na corporação. Entre os homens, 24.325 ainda estão na disputa.

Segundo o tenente-coronel, Renata Santos entrou com recurso em 24 de novembro, apontando erro e houve retificação. “O erro aconteceu e foi corrigido. Identificamos hoje cinco casos e todos estão aprovados de fato. Não tem implicação, não há erro material nem prejuízo a nenhum candidato. As novas fichas serão publicadas no site da PM”.

O comandante do Centro de Recrutamento e Seleção de Praças disse não acreditar que os erros ponham o concurso em dúvida. “Não acredito nisso, até por essa transparência e resposta imediata. As notas dos candidatos foram retificadas e isso não implicou prejuízo de terceiros”.

O concurso previa 3.600 vagas, mas a PM vai alterar o edital e aumentá-las para 7.000, com o fim de atender às necessidades das UPPs, que usam recém-formados e demandam muitos policiais – na escala de 1/86 moradores, em comparação com a média estadual, de 1/420.

A corporação tem tido grande dificuldade de recrutar e formar novos policiais. O atual concurso, iniciado em 26 de setembro, teve 68.700 inscritos. A partir desta semana, começam as outras etapas, em processo que só deve acabar no fim janeiro. A PM tem historicamente dificuldades de completar o número de vagas oferecido, na seleção. A média de preenchimento fica abaixo de 60%, nos três últimos concursos.

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