Enterros em Teresópolis são realizados mesmo de madrugada

De acordo com a prefeitura, 160 corpos foram sepultados até este sábado; identificação agora só poderá ser feita por DNA

Flávia Salme, enviada a Teresópolis |

Hélio Motta
Devido ao avançado estágio de decomposição dos corpos, o mau cheiro toma conta do lugar; muitos usam máscaras para enterrar os parentes
Das 240 vítimas encontradas até o momento sob os escombros de terra em Teresópolis, 160 foram sepultadas até este sábado (15), segundo a prefeitura da cidade. Por causa do avançado estágio de decomposição dos corpos, as cerimônias são rápidas e bastante simples. “A todo momento chega um caminhão com cerca de 20 corpos. Os enterros estão sendo realizados até três horas da madrugada”, diz um coveiro.

Por causa da tragédia, 303 covas foram abertas às pressas no cemitério que leva o nome da cidade, no bairro de Vale do Paraíso. Geradores de luz foram instalados no lugar para que as cerimônias, sempre rápidas, também possam ser feitas à noite. Em média, os sepultamentos são realizados com intervalos de cinco a dez minutos, a fim de evitar filas de caixões. A dor das pessoas que perderam seus parentes é ouvida em choros e gritos de consternação. 

A partir de agora, identificação de corpos só por DNA

Nesta sexta-feira, o juiz José Ricardo Ferreira de Aguiar, da 2ª vara de família de Teresópolis, informou que a identificação das vítimas só poderá ser feita por exame de DNA. “É uma questão de saúde pública”, ele explicou. “O material genético é colhido e o corpo enterrado logo em seguida”, afirmou.

De acordo com o juiz, o sepultamento será feito mesmo que a família não tenha realizado o reconhecimento da vítima. "A família deverá procurar a Justiça ou o poder Executivo para retirar a certidão de óbito após o confrontamento de DNA. Quem desejar, poderá fazer um novo enterro", disse o magistrado.

A decisão foi tomada por causa do estado de putrefação dos corpos. “Até as primeiras 48 horas da tragédia, o reconhecimento era visual. Depois disso, passou a ser por fotos, mas os corpos estão em decomposição, temos de enterrar”, disse o magistrado. Segundo o juiz, 259 corpos já foram reconhecidos.

O juiz informou também que a prefeitura de Teresópolis determinou o translado ( retirada dos ossos de uma cova quando o enterro foi realizado em menos de 12 meses ) ou exumação em jazigos com espaço para mais de três pessoas, mesmo que a família proprietária da cova não seja avisada. "Vamos informar posteriormente, estamos sem espaço no cemitério e temos de arrumar soluções", informou.

Dos cerca de 100 corpos que ainda estão no IML, 80 foram congelados. Ainda há 20 no galpão localizado em frente da 110ª DP, onde foi improvisado um IML de emergência. O mau cheiro no lugar é tão grande, que funcionários que trabalham na liberação dos corpos tiveram de se mudar pela terceira vez. Eles agora ocupam um salão emprestado por um advogado na mesma rua da delegacia, a cerca de 20 metros do IML.

Hélio Motta
Caminhões frigoríficos que eram usados no transporte de pescado agora servem para armazenar corpos de vítimas da enchente em Teresópolis

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