Encenação da Paixão de Cristo na Cidade de Deus aborda tráfico e criminalidade

Espetáculo adapta passagens do evangelho para os dias atuais tendo como pano de fundo a criminalidade no Rio de Janeiro

Agência Brasil |

Até este domingo (24), a celebração da Paixão de Cristo será encenada na comunidade carioca Cidade de Deus com um roteiro moderno e adaptado. O espetáculo “Outra Paixão”, montado pela Companhia de Teatro Provocação, adapta passagens do Evangelho para os dias atuais, tendo como pano de fundo a criminalidade no Rio de Janeiro. Entre as adaptações, a peça traz um Jesus Cristo negro que não é crucificado e não usa coroa de espinhos. A montagem, que conta com a participação de jovens moradores de comunidades carentes da cidade, acontece às 20 horas.

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Na peça, Jesus Cristo é negro e é morto no micro-ondas por traficantes
Na peça, o protagonista Messias é um jovem que tenta evangelizar dois amigos envolvidos com o tráfico de drogas. Acusado de diminuir o lucro da venda de drogas ao atur na recuperação de usuários, Messias acaba traído e condenado à morte por Azul, policial corrupto que fornece entorpecentes aos bandidos da comunidade. Em vez de pregá-lo na cruz, Azul mata o Messias no chamado micro-ondas, nome dado nas favelas às execuções de vítimas do tráfico, quando queimadas vivas presas a pneus.

Para o diretor Adilson Dias, idealizador do espetáculo, a intenção é humanizar a história de Cristo. “Precisamos acreditar em um Jesus mais humano, próximo de nossa realidade”, argumenta.

O ator André Carvalho, intérprete do policial que executa Messias, conta que o teatro o impediu de entrar para a criminalidade. “Perdi pai e dois irmãos para o tráfico. Mesmo indiretamente você acaba se envolvendo, mas as artes me salvaram”, afirma.

Além de Jesus, personagens como Maria, Pedro e Maria Madalena também estão na história de Outra Paixão. Segundo Adilson, os ensaios duraram cinco meses e o grupo acabou optando pela encenação num Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) da Cidade de Deus, o João Batista dos Santos, na Rua Edgar Werneck, 1565.

“A ideia inicial era usar as ruas da comunidade, mas como temos réplicas de armas, achamos mais prudente um local fechado”, explica. Nos ensaios, o grupo contou com a colaboração de policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Cidade de Deus.

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