Empresa brasileira lança arma de choque em meio a polêmica de mortes
Menos de um mês após brasileiros morrerem na Austrália e em Santa Catarina após disparos de Taser, Condor apresenta arma “mais segura”. Pistola já matou mais de 400 nos EUA
A Condor alega que o seu “dispositivo elétrico incapacitante” é mais seguro que os outros quatro concorrentes mundiais – a “Taser”, pioneira, mais uma americana, uma chinesa e outra russa – porque usa 40% menos energia, interrompe o choque após cinco segundos do disparo, tem trava e memória dos últimos mil disparos. O projeto foi desenvolvido conjuntamente com a Faperj e o Cefet (Centro Federal de Educação Celso Suckow da Fonseca).
Uma pesquisa da Anistia Internacional apontou terem ocorrido 351 mortes de pessoas que receberam disparos de Taser nos Estados Unidos, entre junho de 2001 e agosto de 2008; o blog Electronic Village relatou mais 96 casos entre janeiro de 2009 e setembro de 2010. É uma média de cerca de cinco mortes por mês.
Questionado pelo iG sobre o timing do lançamento, logo após duas mortes de brasileiros com repercussão na imprensa, o diretor de marketing da Condor, Massilon Miranda, disse que o momento é “ótimo”.
Quando se dispara a pistola, dois dardos atingem o alvo a até 8 metros de distância e continuam ligados à arma por fios metálicos: a partir de então, fecha-se o circuito de energia, conduzida pelos fios. “A pessoa perde o controle da musculatura. O cérebro controla os músculos por pulsos, e a arma confunde esse sistema de comunicação, o que faz com que a pessoa atingida caia”, explica o diretor.
Perguntado pelo iG se, diante dos episódios recentes, armas elétricas devem ser consideradas “não-letais” ou “menos letais” – como muitos especialistas já chamam –, Massilon respondeu que “não há nada 100% não-letal”.
“É verdade, não há nada 100% não-letal. Até um balde d’água pode matar. Para nós, o mais importante é passar o conceito, o objetivo de que o objetivo quando se usa a arma não é matar”, disse. “Mas se usado incorretamente pode matar”, reconhece.
Outra medida de segurança adotada pela empresa foi instalar uma luz azul nos lados da pistola que avisa que a arma está ativa. Assim, supostamente outros agentes equipados com a arma poderiam evitar seu uso tendo em vista que um disparo seria capaz de incapacitar uma pessoa de reagir. As múltiplas descargas elétricas sobre uma pessoa podem causar sua morte.
Cada unidade custa hoje em torno de R$ 2.100 e cada munição sai a R$ 100. Atualmente fábrica da Condor tem capacidade para produzir 30 mil unidades da Spark por ano. Segundo o diretor de marketing da empresa, Massilon Miranda, quatro forças de segurança nacionais já fecharam a compra do aparelho, e a primeira entrega será em maio.
Embora a arma seja de plástico, o preço se assemelha ao de uma pistola real. “Mas quanto vale uma vida?”, rebate, com a resposta pronta.