Em vídeo, Wellington diz que se preparou para ataque em hotel

Imagens divulgadas pela polícia mostram o responsável por massacre de Realengo relembrando bullying que diz ter sofrido na escola

iG Rio de Janeiro |

Responsável pelo massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, Wellington Menezes de Oliveira teria se preparado para o ataque em um hotel localizado em Realengo, mesmo bairro onde fica a instituição de ensino. Em um dos vídeos divulgados nesta sexta-feira (15) pela Secretaria de Estado de Segurança - o iG decidiu não publicar a maioria deles por entender que podem estimular a violência - , o atirador relata que foi para a hospedagem na noite anterior ao massacre para se preparar. O ataque deixou 12 crianças mortas.

“São quase sete horas da noite e daqui a pouco estarei me dirigindo para Realengo, onde ficarei hospedado no Hotel Shelton, para me preparar”, relata no vídeo, gravado, segundo Wellington, em sua casa no bairro de Sepetiba, zona oeste da capital fluminense.

Em outro vídeo divulgado nesta sexta-feira, o atirador relata que sua atitude foi tomada em represália ao bullying que sofreu na escola e no seu dia-a-dia. Ele ainda cobra uma atitude do governo para esse tipo de prática nos colégios.

“Que o ocorrido sirva de lição principalmente para as autoridades escolares”, diz. “Escola, colégio e faculdade são lugares de ensino, aprendizado e respeito. Se tivessem descruzado os braços antes e feito algo sério neste tipo de prática, provavelmente o que aconteceu não teria acontecido”, completa.

Wellington relembra em um dos trechos algumas agressões sofridas na Escola Municipal Tasso da Silveira, ocorridas no período em que era aluno da instituição.

“Era agredido, humilhado, ridicularizado. As vezes que mais doíam eram quando eles praticavam essas covardias contra mim e todos em volta riam, debochavam e se divertiam, sem se importar com meus sentimentos. O que mais me irrita hoje é saber que esse cenário vem se repetindo sem que nada seja feito contra essas pessoas covardes e cruéis”, relata.

Wellington também "parabeniza" em um dos vídeos Casey Heynes, o garoto australiano gordinho que ficou famoso com um vídeo na internet em que reage com violência ao bullying de um colega. Ele também cita o sul-coreano Cho Seung-Hui, que matou 32 pessoas em uma invasão do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (EUA), em 2007. Além de Edmar Aparecido Freitas, que feriu oito pessoas em um colégio de Taiúva (São Paulo), em 2003.

Nas imagens, Wellington relata ainda que as agressões verbais e físicas, não se restringiam apenas ao ambiente escolar. “Vocês não imaginam as coisas que eu passei. Como estar em um ponto de ônibus e, do nada, aparecerem dois caras grandes, começando a me ridicularizar, humilhar. Não diretamente, mas para te atingir, para te deixar para baixo, como meio de diversão. Essas pessoas ainda dizem: nada como rir da cara de um idiota”, relembra.

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