Em lonas, desabrigados de Teresópolis tentam se adaptar

No abrigo da Barra do Imbuí, sem-teto reclamam que não receberam aluguel social

Flávia Salme, enviada a Teresópolis |

Em Teresópolis, as vítimas das enchentes de janeiro que tiveram a casa totalmente destruída e conseguiram abrigo nas barracas doadas pelo Rotary Internacional tentam se resignar diante da falta de privacidade e das condições inerentes a um acampamento. “Quem está em abrigo provisório recebeu prazo para sair. Aqui, a gente pode ficar por tempo indeterminado”, diz a doméstica desempregada Patrícia Trindade, de 35 anos, que divide uma tenda com seus quatro filhos de 9, 11, 13 e 14 anos.

Patrícia é uma das 74 pessoas acomodadas em 27 tendas no abrigo Acolher, da Igreja Batista da Barra do Imbuí. O local abriga 29 crianças até 12 anos e mais de 30 adultos. Graças às doações, eles consomem diariamente 10 quilos de arroz e dois de feijão. Ganham carne, legumes e verduras dos voluntários. Roupas, produtos de higiene e limpeza também não faltam.

Hélio Motta
Voluntária vai ao abrigo diariamente promover atividades com as crianças
Com a ajuda de voluntários , até recreação é realizada para entreter as crianças. “Eles criaram regras próprias: tem hora para cada refeição, para entrar e sair e até para dormir”, conta a assistente social Claudia Almeida da Silveira, voluntária que dedica a maior parte de seu tempo ao local. “Há problemas, como o de alcoolismo. Mas combinamos que ninguém pode trazer bebida aqui para dentro”.

Entre os acampados , ninguém recebeu o aluguel social. “Estou vivendo como um índio aqui, isso é uma humilhação”, desabafa o pedreiro Luiz Carlos dos Santos Barbosa, de 41 anos.

Luiz também morava em Campo Grande e estava fora de casa no dia da tragédia. Sua mãe, mulher e a filha de 11 anos estavam na casa e morreram. Apenas o corpo de sua mulher foi encontrado. “Fiz o cadastro para o aluguel social, mas não recebi nada até agora. Eu não estou aqui porque quero, é falta de condição mesmo”, lamenta Luiz.

Segundo a Prefeitura de Teresópolis, 336 pessoas estão em abrigos improvisados na cidade e cerca de 130 conseguiram se instalar nas tendas do Rotary internacional. Pela assessoria de imprensa, a Prefeitura de Teresópolis informa que o governo do Estado garantiu o pagamento de 2.500 aluguéis sociais na cidade, no valor de R$ 500, pelo período de 12 meses, “enquanto a Prefeitura assegurou o atendimento de mais de mil famílias”. Por e-mail, a Prefeitura explica apenas 2.200 estão com os recursos: “300 não receberam por irregularidades no cadastro”.

Sobre o seu cadastro, que inclui cerca de mil moradores, a Prefeitura informa que precisou reavaliar as fichas. “Esta mudança no atendimento tem por objetivo evitar que se repitam tentativas de fraude, como a que ocorreu dia 28 de fevereiro, quando um homem acabou detido pela Polícia Militar.

Governo do Estado promete apenas 27 casas em Teresópolis

Nesta quinta-feira (17), a Secretaria Estadual de Habitação anunciou a entrega de 350 moradias em municípios da Região Serrana atingidos pelos temporais em janeiro. Em nota, o órgão informa que ainda este mês dará início à construção de 27 imóveis em Teresópolis. Mas diz que “além disso, mais 200 moradias devem ser erguidas na cidade”. Em Areal, a secretaria promete 70 casas em abril; Petrópolis, também receberá 70 residências. O total das obras, de acordo com a secretaria, é de R$ 4 milhões.

Na quarta-feira (16), o governo do Rio divulgou novo empréstimo autorizado pelo Banco Mundial no valor de US$ 485 milhões que deverão ser utilizados para a reconstrução das cidades atingidas. Na ocasião, o governador Sérgio Cabral explicou que o financiamento não exige contrapartida e irá ajudar ogoverno a regularizar a posse de terra, formalizar propriedades e fornecer incentivos para investimentos habitacionais e reassentamento.

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