Em Friburgo, moradores formam equipes de resgate

`Estamos trabalhando noite e dia¿, diz José Carlos Thomas, que afirma não dormir há 72 horas

Anderson Ramos, enviado a Nova Friburgo |

O paisagista José Carlos Thomas, de 42 anos, não dorme há 72 horas. De acordo com ele, os bombeiros não estão acompanhando o resgate em uma localidade chamada Campo do Coelho, em Nova Friburgo, Região Serrana do Rio. Segundo Thomas, os bombeiros não acessam esse lugar por medida de segurança.

“A equipe de resgate é os moradores. Reunimos cerca de 30 pessoas e estamos trabalhando direto, noite e dia”, conta.

O paisagista afirma que cerca de 111 pessoas foram retiradas dos escombros no local. Dessas, 40 não resistiram e morreram. Seus corpos estão colocados em macas improvisadas, feitas de bambus e lençóis. No final da tarde desta sexta-feira (14), militares conseguiram acessar o local e estão ajudando na força-tarefa dos moradores.


Ivanilda Tuller Godinho de 42 anos, empresária, foi socorrida por vizinhos. Dona dequatro imóveis na localidade de Córrego Santas e um estabelecimento comercial, Ivanilda estava em casa com a família, quando foi acordada por volta de 1h da manhã de terça-feira por vizinhos. Eles informavam que a água estava subindo assustadoramente.

Logo a água já invadia sua casa. Neste momento, seu marido, que é pastor evangélico, pediu para todos se reunirem na sala "para uma oração e um agradecimento a vida". Segundo Ivanilda, todos achavam que iriam morrer. “Na oração só agradecemos a Deus pela vida. Foi muito assustador. Pensávamos a todo momento na morte”, disse.

Ela conta que, neste momento, a parede do quarto caiu sobre a sala e eles ficaram soterrados por quase dez horas. O socorro veio por meio de vizinhos, no início da madrugada de quarta-feira, por volta de duas horas da tarde.

Moradores também lamentam a demora no resgate de seus parentes mortos. “A prioridade dos bombeiros é a procura de locais onde estejam pessoas vidas, ou que estejam soterradas próximas ao centro", explica o sargento da PM Lincoln Peixoto de Melo, de 48 anos, que teve oito parentes soterrados, na localidade de Duas Pedras. Até agora, os corpos das suas três irmãs, de quatro sobrinhos e de um cunhado não foram retirados dos escombros.

"Estou sem chão. Meu mundo acabou", desabafou.

No momento da enchente provocada pelas fortes chuvas que atingiram a região serrana, Melo estava em seu apartamento, onde mora com a mulher, no centro de Friburgo. A tromba d’água, porém, não atingiu seu apartamento, localizado no segundo andar do prédio.

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