Em depoimentos, professoras contam detalhes do massacre no Rio

"Se eu tivesse dado atenção, será que ele não teria atirado em todo mundo?", questiona professora

Valmir Moratelli, iG Rio |

Em depoimento à Polícia Civil na tarde desta quinta-feira, uma professora identificada como Dorotéia, que trabalha na escola há 38 anos, contou que travou um rápido diálogo com o atirador, Wellingon Menezes de Oliveira, de 24 anos, antes do massacre. O jovem, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, matou e feriu dezenas de pessoas .

De acordo com informações passadas pela assessoria de imprensa da Polícia Militar, a professora Dorotéia afirmou que o atirador entrou na escola com sua autorização e a cumprimentou. Dorotéia havia dado aulas para ele no passado. Os dois, então, travaram o seguinte diálogo:

Professora Dorotéia : “Você veio para a palestra?”

Wellington: “Sim, eu vim. Queria falar com a senhora”

Professora Dorotéia: "Agora não dá, espere um pouco"

Wellington teria aguardado por cerca de 10 minutos antes de subir para o segundo andar. De acordo com a assessoria da Polícia, a professora está em choque, chorando muito e se sentindo culpada. "Será que se eu tivesse dado atenção, falado com ele, ele não teria ido para o segundo andar e atirado em todo mundo?", ela questionou em depoimento.

Amanhã, a escola completa 40 anos de fundação. Para comemorar o aniversário, haveria uma palestra com ex-alunos bem-sucedidos. De acordo com o depoimento, a professoa Dorotéia autorizou a entrada de Wellington pensado que se tratava de um dos ex-alunos convidados para a festa.

Fuga

Também em depoimento, a professora Leila D'Angelo contou à Polícia que dois de seus alunos conseguiram fugir da sala de aula no momento em que o atirador  parou para recarregar sua arma.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Militar, a professora Leila afirmou em depoimento que Wellington invadiu a sala 1801, no segundo andar, enquanto dava aula para a turma do 8º ano, antiga 7ª série do ensino fundamental. Quando o atiradou teve de trocar de cartucho, dois alunos conseguiram sair da sala e foram pedir ajuda para um policial .

Depois de atirar na sala 1801, Wellington teria subido para o terceiro andar. No caminho, o policial acionado pelos alunos atirou. Além de Leila e Dorotéia, outras duas professoras prestaram depoimento na 16ª DP, da Divisão de Homicídio, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. O policial que ajudou os alunos, Márcio Alexandre Alves, um bombeiro e o assessor do gabinete da direção da escola também devem prestar depoimento hoje.

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