"Ele filmou quem o matou", diz colega de cinegrafista morto

O repórter Ernani Alves, da TV Bandeirantes, afirma que Gelson Domingos filmou os criminosos que trocaram tiros com a polícia

Anderson Ramos, especial para o iG |

Agência O Globo
Ernani Alves, repórter que trabalhava com o cinegrafista Gelson Domingos da Silva
O repórter Ernani Alves, da TV Bandeirantes, acompanhava o cinegrafista Gelson Domingos da Silva , de 46 anos, na cobertura da operação policial que aconteceu na manhã deste domingo (6) na Favela de Antares, em Santa Cruz, zona oeste do Rio.

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Reprodução Facebook
Gelson Domingos fazia a cobertura jornalística da operação policial quando foi baleado
Segundo Alves, a equipe soube da grande operação da Polícia Militar por volta de 5h. Por volta das 6h30, veio a informação de que o comboio de soldados do Bope e do Batalhão de Choque estavam acessando a Avenida Brasil na altura do Caju.

“Partimos imediatamente em alta velocidade para a Avenida Brasil e conseguimos encontrar o comboio na entrada para a zona oeste. Fomos a primeira equipe a entrar na Favela de Antares com os batalhões de Operações Policiais Especiais (Bope) e de Choque".

Alves afirmou que ele e Gelson avistaram um valão e, do outro lado, bandidos fortemente armados que começaram a exibir os armamentos para a equipe e para os PMs. O cinegrafista fez imagens desse grupo. Minutos depois, eles começaram a atirar contra a equipe e os policiais.

“Foi muito rápido. Ele foi atingido pelos disparos e caiu imediatamente. Não deu nem para tirá-lo da viela. Homens do Bope começaram a atirar contra o grupo. Fiquei no meio do fogo cruzado e deitei no chão. Gelson em nenhum momento parou de filmar. Ele filmou quem o matou”, relata o repórter. “Hoje é o dia mais triste da minha vida porque saí com um amigo para trabalhar e não retorno para a emissora com ele".

Ernani Alves já prestou depoimento na 36ª DP (Santa Cruz). As imagens feitas por Gelson foram encaminhadas para a Polícia Civil para serem analisadas e comparadas com os presos na operação. Segundo Alves, quem matou o cinegrafista foi provavelmente uma das pessoas presas.

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