'É um misto de sorte e tristeza', diz sobrevivente que perdeu o pai

Pintor passou cerca de 6h soterrado com a mãe e o pai, até ser resgatado por amigos na cidade de Nova Friburgo

Anderson Dezan, enviado a Nova Friburgo |

Urbano Erbiste
'O morro desabou e levou tudo', relembra Luiz Fernando Conceição

O pintor Luiz Fernando Conceição, de 35 anos, está feliz por ser um dos sobreviventes das chuvas que assolaram a Região Serrana do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, é tomado pela dor da morte do pai, que foi soterrado na casa da família, localizada no Loteamento Floresta, no Distrito de Conselheiro Paulino, em Nova Friburgo.

"Vivo um sentimento misto de sorte e tristeza” disse ele à reportagem do iG . O pintor conta que estava em casa quando começou a chover forte ainda na madrugada de terça-feira (11).

"Peguei meus pais e os levei para um lugar que considerava mais seguro. Foi quando o morro desabou e levou tudo", lamenta.

Os três foram soterrados, lado a lado, e passaram cerca de seis horas sob os destroços. "Minha mãe ainda se comunciava comigo, mas ele não falava mais", lembra. Cinco amigos os retiraram da terra, mas seu pai não sobreviveu.

A mãe está sob efeito de medicamentos. Conceição tem no corpo as marcas da tragédia: nariz quebrado e feridas por todo o rosto, além de uma lesão muscular na bacia. Nesta quinta-feira, ele estava na capela São João Batista, no centro de Nova Friburgo. Após os corpos serem liberados do Instituto Médico Legal (IML) improvisado em uma escola , eles seguem para a capela, que já conta com mais de 100 caixões pelo chão.

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