'É preciso ênfase contra a milícia', diz diretor do Instituto de Segurança do Rio

Seminário sobre segurança reúne especialistas para discutir os desafios da área, entre eles o Diretor da Empresa de Segurança Urbana de Medelín, Jesús Ramirez Cano

iG Rio de Janeiro |

Apontada como uma experiência que está trilhando caminhos bem-sucedidos no Rio de Janeiro, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) não foram o maior destaque da 8ª edição da Conferência do Forte de Copacabana, um fórum de diálogo entre a Europa e a América Latina sobre temas para a agenda de segurança internacional. Na plateia do centro de conferências de um hotel na zona sul onde o encontro foi realizado, brasileiros e estrangeiros apresentavam questionamentos comuns: as milícias. “A milícia é uma questão que precisa de aprofundamento em relação a estratégias e táticas da polícia. O desafio do Rio até um tempo atrás era o de contenção ao tráfico. Agora, o desafio das milícias é um trabalho paralelo e ainda falta ênfase”, afirmou o diretor-presidente do Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP), o tenente coronel PM Paulo Augusto Souza Teixeira.

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Ele ressaltou que desde 2008 a Secretaria de Segurança Pública do estado tem atuado em quatro frentes simultâneas de ações: o combate ao tráfico de drogas, às milícias e aos bicheiros que passaram a comandar as máquinas de caça-níqueis , além das táticas de recuperação e domínio de territórios por meios das UPPs. “A política de segurança do Rio avançou, tivemos reduções significantes nos índices de criminalidade, além da pacificação que, pelo que vejo, conta com o apoio dos moradores das comunidades”, disse Teixeira. “Em relação às milícias, ainda carece de compreensão mais aprofundada, o trabalho mais aprofundado que temos é a CPI das milícias. Contudo, faltam mecanismos específicos: ainda não há lei que tipifique a ação desse grupo como crime”, explicou, ressaltando que nos últimos anos mais de 500 pessoas foram presas do Rio por atuação com grupos milicianos, incluindo políticos.

Veja o Mapa das UPPs no Rio de Janeiro

Diretor da Empresa de Segurança Urbana de Medelín, na Colômbia, Jesús Ramirez Cano, abordou a ação dos grupos paramilitares em seu país. Embora as UPPs tenham tido inspiração nas experiências Colombianas de combate à pobreza e criminalidade, ele ressaltou as diferenças das políticas na Colômbia e no Brasil.

Embora afirme que houve consideráveis avanços na Colômbia, Cano ressaltou que os grupos paramilitares são um problema que precisam de atenção do governo. “Os paramilitares surgiram para lutar contra as guerrilhas mas ambos acabaram fazendo a mesma coisa: se armando, praticando extorsão contra empresas. Algumas pessoas acharam que os grupos paramilitares eram a solução porque muitas vezes fizeram o papel do governo, mas acabaram agindo como traficantes. Eles vieram lutar contra criminosos e quadrilhas e acabaram agindo como eles”, afirmou.

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Jesús Cano ressaltou que a Colômbia precisa focar agora nos jovens. “Sabemos que 46% dos homicídios na Colômbia são cometidos por jovens de 14 aos 21 anos e os jovens dessa faixa etária são as principais vítimas também. É preciso investir bilhões de dólares nesse grupo para evitar problemas futuros”.

O evento é um projeto euro-brasileiro organizado pela Fundação Konrad Adenauer no Brasil em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e o apoio da Delegação da União Europeia no Brasil. Especialistas da Alemanha, Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, EUA, Grã-Bretanha, Uriguai e Venezuela participaram do encontro.

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