¿É impossível vencer o tráfico no mundo¿, diz Beltrame

Secretário de Segurança do Rio de Janeiro comenta problemas da cidade durante seminário sobre Segurança Pública

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

O Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou, nesta sexta-feira, que é “impossível vencer o tráfico no mundo”. “Onde houver viciado e renda vai ter droga. Vai ter aqui, em Paris e em Londres”, disse ele durante participação em um seminário sobre Segurança Pública promovido pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Contudo, ele acrescentou que o Estado não pode permitir que o tráfico aconteça aos seus olhos e citou o exemplo das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) do Rio. “O que não acontece mais é a venda de drogas perto da polícia. Antes, as pessoas faziam atos criminosos e iam para os seus portos seguros. Agora, o Estado está lá”, afirmou, explicando que a presença da polícia não acabou com o tráfico, mas sim com o espaço dos traficantes.

Ao comentar a experiência do Rio com a criação das UPPs, Beltrame afirmou também que a intenção é inverter “a lógica de guerra”. “Antes a polícia invadia, morriam civis, policiais e eram presas duas ou três pessoas. A polícia vinha com 200 quilos de maconha, mas lá dentro tinha duas toneladas. O trabalho não era completo”.

Hoje, diz ele, primeiramente, o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) entra e passa de trinta a quarenta dias na comunidade para possibilitar a tomada e permanência dos policiais das UPPs. Esses que, em sua maioria, são recém-formados. “Ainda não têm vícios”, justifica.

Beltrame esclarece que não é porque a polícia é pacificadora que ela deixará de cumprir o seu trabalho. Segundo ele, nas favelas de Cidade de Deus foram cumpridos mais de 100 mandados de prisão nos últimos dois anos. Ainda assim, o secretário enfatizou que não é só a presença da polícia que combate o crime. “É preciso perspectiva para a juventude. Quanto mais atender a demanda, menos polícia vou precisar”.

Homicídios

Conforme o secretário, em quatro anos houve uma queda de 26% na taxa de homicídios no Rio de Janeiro, que chegava a 46,6% para cada 100 mil habitantes. Hoje, está em 29,8%. Em 2014, diz ele, a meta é chegar a 20%, o que ainda é mais do que o dobro do índice considerado epidêmico pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Há uma demanda forte por ações imediatas, mas é preciso políticas consistentes de médio e longo prazo. Não vamos resolver os problemas de segurança em dois ou três anos. Os desafios no Rio são todos grandes e pesados” afirmou, arrancando risos da platéia.

Eventos

Ao abordar a iminência de grandes eventos no Rio, como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, Beltrame surpreendeu ao dizer que o Estado não fará nada de especial para recebê-los. “Não tenho que me preparar para eventos, tenho que preparar a cidade para atender a sociedade, o povo carioca. Depois que venham os eventos”. Ele destacou que a cidade precisa de estrutura de segurança e políticas visíveis. “Aí fica fácil organizar qualquer evento”, brincou.

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