Doze policiais estão entre os denunciados em operação contra milícias

Um sargento do Exército e outras 17 pessoas também foram denunciadas; quadrilhas atuavam na zona norte do Rio de Janeiro

Bruna Fantti, iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Policias fazem buscas na casa do chefe de uma das milícias, conhecido como Marcinho

Dez policiais militares, dois policiais civis, um sargento do Exército, além de outras 17 pessoas estão entre os denunciados pela investigação desencadeada pela CGU (Corregedoria Geral Unificada), da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, que desarticulou nesta quinta-feira (22) três quadrilhas de milicianos . Até o momento, 18 pessoas foram presas.

Os grupos atuavam na zona norte do Rio de Janeiro, desde 2007, explorando serviços clandestinos como TV a cabo e gás e cobrando taxas dos moradores a título de segurança.

Os investigadores não souberam informar o total da arrecadação com a cobrança dos serviços mas, somente com a exploração de tv a cabo seriam R$ 600 mil por mês.

Briga entre milicianos

De acordo com o delegado Marcelo Fernandes, da CGU, três grupos de milicianos exploravam moradores dos bairros de Brás de Pina, Quitungo e Cordovil, na zona norte. As quadrilhas desses bairros se intitulavam, respectivamente, de 'Irmãos Menezes’ (comandada por dois irmãos, sargentos da PM); ‘Bonde dos Galáticos’ (cujo chefe era o também sargento PM Márcio Simão); e ‘Bonde 556’, (chefiada por Sandro de Assis, sargento do Exército).

As investigações começaram há quatro meses a partir de uma tentativa de assassinato entre chefes de milícias rivais. “Em determinado momento essas quadrilhas começaram a disputar o espaço entre si. A mais violenta, a do Bonde 556, que tem esse nome em referência a um calibre de fuzil, tentou matar o chefe da Galáticos”, explicou Fernandes.

Apenas no grupo dos “Irmãos Menezes” havia cinco policiais do batalhão de Olaria (16º BPM), sendo um deles o oficial Fábio da Silva Ferreira, com a patente de capitão. Dois policiais civis atuavam nas três milícias, colaborando com informações. A operação também está atrás de um indivíduo conhecido como Melão, que atuaria como informante próximo aos batalhões e delegacias da área.

Até o início da tarde desta quinta-feira (22), haviam sido presos nove policiais militares, um policial civil, além de oito pessoas que integravam as milícias. Os PMs presos serão levados para o BEP (Batalhão Especial Prisional), em Benfica, na zona norte, e os agentes civis para Bangu 8, na zona oeste. Para a operação, denominada “Lobão”, foram mobilizados 250 policiais divididos em 71 equipes, que continuam em busca dos foragidos.

Policiais expulsos

Segundo a secretaria de Segurança Pública, desde 2007 foram presas mais de 600 pessoas envolvidas em atividades de milícia. Na atual gestão da polícia militar, 48 PMs já foram expulsos da corporação por atuarem em milícias.

“As milícias se mostram muito mais destrutivas que o tráfico de drogas, pois são membros do estado atuando contra a sociedade”, analisou o corregedor da Polícia Militar, coronel Waldyr Soares Filho.

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