Dois policiais civis são presos suspeitos de extorsão no Rio

Agentes teriam exigido R$ 150 mil de homem que eles alegaram exercer ilegalmente a profissão de dentista. Advogados foram presos

iG Rio de Janeiro |

Dois policiais civis da delegacia de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, foram presos nesta quarta-feira (4) suspeitos de terem praticado extorsão e sequestro contra um homem, que eles alegaram exercer ilegalmente a profissão de dentista. O caso ocorreu no dia 7 de abril. Dois advogados também foram presos acusados do mesmo crime.

De acordo com a denúncia, a vítima, que atua como protético, foi sequestrada pelos dois policiais e por um terceiro homem, não identificado, quando deixava uma clínica em Campo Grande, na zona oeste. Inicialmente, os agentes o mantiveram nos fundos do estabelecimento, alegando que o prenderiam em flagrante sob o falso pretexto de exercício ilegal da profissão de dentista. Inicialmente exigiram R$ 150 mil para não efetuar a suposta prisão.

Depois que a vítima o apresentou extrato bancário demonstrando não possuir a quantia, os policiais armados o levaram à força para a delegacia de Santa Cruz, numa viatura da Polícia Civil. No trajeto, o obrigaram a tirar um novo extrato bancário.

Suspeitos exigiram televisão

Após passar pela delegacia, do lado de fora, um dos agentes fez uma ligação e, após 20 minutos, os dois advogados chegaram. A dupla passou, então, a “renegociar” com os policiais as condições para libertar a vítima. Por fim, chegou-se ao valor de R$ 100 mil em espécie, além de uma TV de 21 polegadas e uma motocicleta. Parentes da vítima também foram à delegacia, presenciando a negociação.

Aterrorizado, a vítima aceitou as exigências. O rapaz foi conduzido, então, ao escritório dos advogados no Centro de Itaguaí, na Baixada Fluminense. No local, para acobertar a extorsão, foi simulado um “contrato de prestação de serviços advocatícios”.

A televisão foi entregue no escritório no mesmo dia e a moto, no dia seguinte. Em 14 de abril, sem entregar os R$ 100 mil, a vítima noticiou o crime à Corregedoria Geral Unificada, que a encaminhou à Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol). Esta, por sua vez, instaurou o inquérito que resultou na denúncia do Ministério Público.

“É difícil imaginar uma hipótese maior de risco à ordem pública e à paz social do que a associação de policiais civis e advogados para a prática de crime hediondo. A quem a sociedade recorrerá para lhe proteger, se tiver a percepção de que policiais e advogados envolvidos com graves delitos permanecem em liberdade?”, questiona a denúncia, ao sustentar a necessidade da prisão preventiva.

Os presos foram levados para a Coinpol, no Centro do Rio, e posteriormente serão transferidos para uma carceragem da Polinter.

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