Discursos contra a homofobia e críticas políticas marcam Parada Gay

Público presente foi de cerca de 250 mil pessoas, de acordo com a polícia militar

Bruna Fantti, especial para o iG |

Apesar do tempo nublado e da chuva fina, a orla da praia de Copacabana foi tomada pelo colorido levado pelos integrantes da 15ª edição da parada gay do Rio. Os discursos dos organizadores e de políticos abriram a festa, que começou com duas horas de atraso. Nas falas predominaram a aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia, além de várias críticas à corrida eleitoral no segundo turno para a presidência.

Fabrizia Granatieri
15° Parada Gay no Rio contou com 250 mil pessoas, de acordo com a PM
“No segundo turno ocorreu uma onda de conservadorismo. Mas o povo LGBT vem mostrar com as suas cores que o Brasil é plural”, afirmou o deputado estadual, Carlos Minc (PT) – autor em 2007 da lei 5034 que assegura o direito de pensão para companheiros do mesmo sexo de servidores públicos estaduais.

Após os discuros, a cantora travesti Jane di Castro cantou o hino nacional em um ritmo eletrônico. O som continuou e foi erguida a bandeira com as cores do arco-íris. Vários casais de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e simpatizantes se beijaram neste momento.

O casal Marco Roque, 19, e Felipe Medeiros, 21, namora há 8 meses e foi vestido de anjos dourados. “Foi a nossa fantasia de carnaval. Nos conhecemos quando desfilamos pela escola Vila Isabel e viemos com ela para a Parada. Muita gente nos para e pede para tirar fotos”, afirmou Medeiros.

Fabrizia Granatieri
Casal se beija na orla durante a Parada Gay no Rio
Quem também chamava a atenção era o educador social Silvino Pereira, de 37 anos, que estava com uma peruca colorida. “Demorei três dias para costurar tudo. Deu trabalho, mas valeu o esforço”, disse.

Essa é a décima parada que o educador participa no Rio. Nesse tempo, ele afirma que a o movimento tem ganhado mais simpatizantes e isso tem diminuído o preconceito. No entanto, para ele, o legislativo deve ser mais ativo. “O Senado tem de aprovar a lei que criminaliza a homofobia e a equipara ao racismo. Isso é um direito nosso”.

Com medo do preconceito, um casal de lésbicas não quis se identificar. Entre beijos discretos, as namoradas há 2 anos e meio, de 21 e 22 anos, afirmaram que a família e amigos talvez não aceitem a opção sexual. “Será um choque para todos. Enquanto isso, namoramos escondidas. Quando a gente for morar junto, iremos contar”.

A Polícia Militar estimou o público presente em cerca de 250 mil pessoas – número bem mais modesto do estimado pelos organizadores da passeata, o grupo Arco Íris, que fez uma previsão de 1,2 milhão de participantes.

Apesar de não chegar ao número previsto pela organização, até o final da noite, uma das pistas da avenida Atlântica ainda estava cheia de pessoas que dançavam e comemoravam o movimento, além de curiosos, como o casal de turistas argentino Ramon e Amanda Rosário. “Gosto muito de ver essa alegria. Em Buenos Aires também temos passeatas, mas essa energia toda combina com o Rio de Janeiro”, disse Amanda, enquanto pedia para tirar uma foto com um dos anjinhos dourados.

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