Desaparecidos: uma procura angustiante

Parentes de vítimas que ainda não foram localizadas enfretam uma longa peregrinação em busca de informações

Flávia Salme, enviada especial a Teresópolis |

Por volta das três horas da madrugada de quarta-feira (12), o telefone do motorista Jorge Luiz Alves, de 49 anos, tocou. Do outro lado da linha, seu compadre gritava: “estamos soterrados. Não consigo sair de casa com a minha mulher e as crianças. Foi a última vez que o comerciante Jorge Siqueira da Costa deu notícias.

Mais de 24 horas depois, a procura por Jorge, por sua mulher, Fabiana Murakami da Costa, e por suas filhas, Natasha e Kayami, continua. Fomos ao IML (Instituto Médico Legal) e não encontramos. Agora, vamos percorrer todos os abrigos em busca de alguma notícia”, disse o motorista.

Segundo ele, o sócio do comerciante também participa da procura. “Não sabemos se estão vivos, se estão soterrados, se foram resgatados. Está difícil”, resignou-se.

“Há muitos desaparecidos”, diz coordenadora de cadastro

No principal abrigo de Teresópolis, improvisado no Ginásio Pedro Jahara, mais conhecido como Pedrão, o pedreiro Edson Alves de Barcelos, 38, conferia todas as listas com os nomes das pessoas acomodadas no local. “Procuro minha sobrinha Luana Figueiredo de Oliveira, 27. Ela está desaparecida desde ontem”, informou. “A casa dela caiu, mas os vizinhos falaram que ela estava viva. Minha esperança são os abrigos”.

De acordo com a empresária e voluntária no atendimento às vítimas, Débora Almeida, 29, que coordena o cadastramento dos desabrigaddos levados para o ginásio, “90% dos parentes” que seguem ao local em busca de informações não encontram os familiares procurados. “Há muitos desaparecidos”, afirmou.

O pedreiro Vanderley Ferreira Maia, 39, pediu à Débora ajuda para encontrar a esposa, Rosa Mesquita Soares. “Estávamos juntos na hora em que um deslizamento de terra atingiu a residência do casal. “Nos perdemos enquanto fugíamos, estou sem qualquer notícia”.

Seu amigo Sérgio Batista da cunha, 55, que o acompanhava, também pediu ajuda para tentar localizar os filhos Renata, Elton e Natália Oliveira da Cunha. “Morávamos na Granja Florestal, tem muita coisa feia por lá. Vou continuar minha procura até achar”.

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