Desalojados que se negam a sair assinam termo de responsabilidade em Campos

Para Rosinha Garotinho, atitude de moradores atrapalha esforço da Defesa Civil. Prefeita reclama do apoio lento de Estado e União

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Domingos Peixoto / Agência O Globo
O rompimento da rodovia BR-356, em Campos, inundou Três Vendas, de onde muitos moradores não querem sair. Eles têm de assinar termo de responsabilidade
A Prefeitura de Campos dos Goytacazes está pedindo a moradores que se recusam a sair de casas em Três Vendas, área inundada pela cheia do Rio Paraíba do Sul , para assinar um “termo de responsabilidade”. Metade das cerca de mil famílias do distrito se nega a deixar as residências. No total, o município estima que 2 mil pessoas continuam em suas residências, em risco.

Leia também:Cerca de 500 famílias se negam a deixar bairro onde dique se rompeu

A prefeita Rosinha Garotinho afirmou que foi pessoalmente a alguns dos lugares afetados em Três Vendas e sentiu a resistência de moradores. “Tento ir no convencimento, mas muitos se recusam a sair. Aí mando assinar termo de responsabilidade”, disse Rosinha, ao iG , por telefone.

“Outros só querem sair quando a água entra nas casas. Uma senhora estava acamada no segundo andar de uma casa e poderia ter saído de ambulância, mas depois teve de ser retirada de barco. Não temos como agarrar à força para tirar de casa”, lamentou.

Segundo ela, a recusa atrapalha a atuação da Defesa Civil, que acaba tendo de entregar mantimentos nos dois únicos botes do Corpo de Bombeiros disponíveis.

Nível do Rio Paraíba do Sul mais que dobrou

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A prefeita Rosinha Garotinho, na BR que se rompeu
Os moradores de Três Vendas vivem às margens da BR-356, que funcionava como uma espécie de dique, impedindo a passagem de água, mas ruiu com a força do Rio Paraíba do Sul, que mais que dobrou o nível – dos 5,30m normais para 11,05m. A estrada, que liga Campos a Itaperuna, foi reformada em 2008 pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), após ter sido destruída em episódio semelhante.

A prefeita afirmou que a construção de 3 mil casas para a população no projeto “Morar Feliz”, em sua gestão, realocaram 13 mil pessoas de áreas de risco para novas moradias.

A prefeita teme que as chuvas fortes em Minas Gerais, previstas para o fim de semana, causem a elevação do Rio Paraíba do Sul, que corta a cidade.

Apoio lento do Estado e da União, diz prefeita

No fim da tarde desta sexta-feira, Rosinha deu entrevista ao iG e afirmou que o Estado do Rio – comandado pelo rival governador Sérgio Cabral – e a União não retaliam nem apoiam concretamente o município.

“Não teve nem retaliação (política) nem apoio. Apenas visitam e se deixam fotografar. Colocam à disposição, mas de concreto, nada”, afirmou. “A única coisa que recebi foram 30 tendas da Defesa Civil, postas no alto do morro para os desalojados, e o helicóptero do Corpo de Bombeiros, que me emprestaram”, disse. O casal Rosinha-Anthony Garotinho faz oposição política ao governo do Estado e críticas ao governo Dilma Rousseff.

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Rosinha sobrevoa área afetada pela cheia do Rio Paraíba do Sul
Às 19h30 desta sexta, porém, sua assessoria ligou para o iG e informou que 2 mil litros de água potável, 200 colchonetes e 500 caixas de alimentos haviam acabado de chegar a Campos.

Antes disso, Rosinha contou ter conversado com o governador Sérgio Cabral na tarde desta quinta-feira (5) e pedido água potável e alimentos, e com o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos; de acordo com ela, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, também telefonou para seu marido, o deputado federal (PR-RJ) e ex-governador Anthony Garotinho para prestar solidariedade e oferecer apoio.

“Ambos foram muito solícitos e se colocaram à disposição, mas chegar mesmo (ajuda) até agora, nada. Nada. Para o município vizinho, Italva, o Estado mandou água com a validade vencida, aqui nem vencida nem na validade”, afirmou, antes da chegada da ajuda do governo do Estado.

A prefeita culpou a obra feita pelo Dnit na BR-356 pelo problema. “Assumi o município com a população debaixo d’água, 23 mil pessoas desalojadas e desabrigadas. Fizeram a obra, mas só fizeram manilha e a parte que tinha rompido. Precisava pôr a estrada mais alta, elevá-la, e usar manilhas maiores, mas isso não foi feito”, disse.

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