Deputada gravada conversando com grevista pode ir ao Conselho de Ética da Alerj

Cidinha Campos representou contra colega Janira Rocha na Corregedoria da Casa. Eventual punição pode chegar até à cassação do mandato

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

A deputada estadual do Rio Janira Rocha (PSOL), que apareceu em gravações conversando por telefone com o cabo bombeiro grevista Benevenuto Daciolo articulando politicamente a greve, pode responder ao Conselho de Ética da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) sob a suspeita de quebra de decoro por incitar greve.

A deputada Cidinha Campos (PDT) apresentou uma representação à Corregedoria da Alerj pedindo que ela seja levada ao Conselho de Ética. Cidinha chamou a colega de “baderneira interestadual” e pediu à comissão que ela tenha o mandato cassada.

“Tudo o que ela queria era baderna! Apresentei à Corregedoria da Casa pedindo que Janira Rocha seja levada ao Conselho de Ética. Fiquei indignada. Ela é de um tom de subserviência à baderna! É uma baderneira interestadual! É preciso que se pare a esbórnia”, afirmou Cidinha Campos, aos gritos. Ela afirmou ter contratado um perito para fazer a degravação da conversa e determinar se a voz é realmente de Janira.

O discurso de Cidinha sobre a apresentação da gravação pelo Jornal Nacional deu início a uma disputa agressiva entre ela e Janira, com discursos em tom alterado e emocional no plenário. Janira confirmou ter conversado com o cabo bombeiro e ser sua a voz gravada, mas defendeu seu direito de “articular politicamente” junto com o movimento grevista, mas disse que a gravação apresentada foi manipulada.

“Quem mereceria processo de cassação por quebra de decoro é quem faz propaganda do governo no intervalo (referência ao programa de TV de Cidinha Campos). Honro as saias que visto! Nenhuma pressão – mesmo do Jornal Nacional, nessa grande pressão para desmontar o movimento –, me faria me dobrar. Jamais faria uma greve de fome contra o Sérgio Cabral chamando-o de ladrão e hoje dizer que me orgulho que faço parte da base do governo”.

De acordo com ela, “há um operativo de desqualificação do operativo quando o JN mostra a fita – fraudada – e hoje a deputada já vem com um perito contratado”.
“Não precisa de perícia! Honro minhas saias, a voz é minha. Exerci meu direito legítimo de articulação política”, afirmou.

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