Denúncia do MP traz novas acusações contra Djalma Beltrami

Relatório cita 29 disque-denúncias em que oficial é acusado de receber propinas de traficantes e milicianos da zona oeste do Rio

iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
O ex-comandante do batalhão de São Gonçalo (7°BPM) Djalma Beltrami (blusa listrada)foi preso ontem
A denúncia feita pelo Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro contra o ex-comandante do batalhão de São Gonçalo (7º BPM), na região metropolitana, coronel Djalma Beltrami, não se resume apenas à acusação contra ele de receber propinas de traficantes de favelas do município, conforme indicou investigação da Polícia Civil..

O documento traz também 29 disque-denúncias com outras acusações contra o oficial, inclusive quando ele comandava os batalhões de Jacarepaguá (18º BPM) e Bangu (14º BPM), ambos na zona oeste da capital.

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Beltrami, que é conhecido também por ter sido árbitro de futebol, foi preso ontem (12) pela segunda vez em menos de um mês. Ele teve a prisão preventiva decretada pela Vara Criminal de São Pedro da Aldeia, em Região dos Lagos.

Os informes do disque-denúncia citados no relatório compreendem o período entre 8 de julho de 2010 e 19 de dezembro do ano passado e carecem de confirmação. Nelas, o oficial foi acusado de supostamente receber propinas de milicianos, proprietários de depósitos clandestinos de gás e de desmanche de veículos, da máfia dos caça-níqueis e traficantes de várias favelas da zona oeste, entre elas do Complexo de Senador Camará e a Vila Vintém. Os valores citados nos informes variavam entre R$ 5 mil e R$ 500 mil.

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No texto da denúncia, os promotores disseram que as acusações feitas nos Disque-Denúncias "aludem a fatos concretos e específicos, bem descritos, sempre se conectando à ideia de que, à frente das unidades militares, o referido oficial da PM recebia dinheiro de fontes ilícitas, como o tráfico, o jogo e o serviço de gás irregular, para não reprimí-los".

Investigação

Com base em investigações feitas pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, a denúncia contra Beltrami revela que PMs do GAT (Grupo de Ações Táticas) do batalhão de São Gonçalo combinaram com o traficante Maico dos Santos “Gaguinho” o pagamento de propina semanal na ordem de R$ 20 mil dos quais R$ 10 mil seriam repassadas ao oficial e o restante dividido entre os próprios PMs.

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O suposto acerto financeiro tinha como objetivo a retirada de todo e qualquer patrulhamento da área do morro da Coruja, em São Gonçalo.

Escutas telefônicas flagraram PMs negociando o pagamento do 'arrego' com traficantes e mencionavam o comandante, que é citado como 'zero um', 'número 1', ou 'mais alto'.

"O que você mandar pra mim, eu vou tirar um pedaço do meu, pra mandar pro meu comando, pra mandar para o 01. Por isso que eu quero fechar um valor só junto, meu e do comando, porque o que você tirar pra mim, a parte do comando, eu vou tirar daqui pra mandar, porque cada dia é individual, cada dia o cara vai perder um pedaço lá”, diz um trecho de uma gravação em que um PM fala com o traficante Gaguinho.

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"Escuta! Olha só, deixa eu falar contigo. Eu anotei o número da sua viatura, vou mandar lá pro seu comandante maior, que ele leva 40 mil aí. Vai acabar o arrego por causa de tu e aí tu desenrola com ele", diz outro trecho de uma gravação em que o traficante Gaguinho conversa com um policial.

A denúncia do Ministério Público ainda revela o suposto envolvimento de PMs do GAT na morte do traficante Raphael Guimarães, o Chacal, que era o encarregado de pagar a suposta propina aos policiais.

Depoimento de testemunhas informaram que Chacal foi rendido desarmado por PMs em sua própria casa, no morro da Coruja, no dia 16 de dezembro. Na ocasião, os PMs teriam pisado em sua cabeça e deitado ele de barriga para baixo com as mãos para trás. Um dos PMs teria dito: "E aí Comando, estamos com o garoto aqui, o que a gente faz?".

As testemunhas que acusaram os PMs da morte de Chacal disseram que foi morto pelo receio de que ele poderia contar algo sobre os policiais envolvidos”. O corpo fo achado no alto de um barranco e estava sem roupas.

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