Delegado que coordena carceragens no Rio é preso suspeito de corrupção

Outros oito policiais civis foram denunciados por exigir dinheiro de presos para permitir visitas íntimas e impedir transferências

iG Rio de Janeiro |

Dezesseis pessoas foram denunciadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por associação com presos na Polinter. Entre os acusados, estão o delegado de Polícia Civil e coordenador do Núcleo de Controle de Presos (Nucop), Renato Soares Vieira, oito policiais civis, seis detentos e uma servidora da Justiça, a maioria presa nesta terça-feira (8). Até o final da tarde de hoje, 13 pessoas já estavam presas, entre elas o próprio delegado e cinco policiais.

Leia também : Cinco fugitivos da Polinter eram integrantes de milícias

O grupo controlava as transferências dos presos da Polinter de Nova Friburgo, na Região Serrana Fluminense, para outras unidades prisionais e mantinham desde 2010 um esquema de arrecadação de vantagens ilícitas ao exigir dinheiro dos presos ou de seus familiares para impedir essas transferências, como também para a realização de visitas comuns e íntimas.

A investigação identificou uma tabela de preços, onde era cobrado R$ 10 por hora por visitas e cerca de R$ 1.500 a R$ 3 mil para evitar transferências de presos.

O grupo criminoso foi denuncaido por diversos crimes, entre eles o de quadrilha armada, concussão, prevaricação, usurpação de função pública e facilitação de acesso a aparelho telefônico a presos da carceragem da Polinter - Base Nova Friburgo.

Segundo o Ministério Público do Rio, o grupo é liderado por Renato Soares Vieira e pelos policiais civis, também denunciados, Luiz Cláudio Pereira, oficial de cartório que exercia assessoria de Renato; Ernani de Souza Gomes, inspetor de polícia e ex-chefe da Base Polinter de Nova Friburgo; e Antônio Carlos Ferreira, também inspetor e ex-chefe da Polinter do município.

De acordo com o MP, os crimes começaram a partir do início de 2010, quando Ernani assumiu a chefia da carceragem. Nesse período ele se associou ao denunciado Lúcio Paulo Nunes Ribeiro, preso de confiança responsável por administrar os lucros da atividade criminosa, e a Renato Soares Vieira, que na condição de coordenador do Nucop, administrava os recursos materiais e humanos relativos às unidades carcerárias.

ntegrando o grupo desde fevereiro deste ano, Renato alertava aos membros da quadrilha sobre inspeções a serem realizadas pelo órgão correcional da Polícia Civil. Renato também era responsável por escolher pessoas de confiança para ocupar a chefia de custódia da base Nova Friburgo. Posteriormente, Renato, Luiz Claudio e Ernani escolheram Antônio Carlos Ferreira para chefiar a carceragem no lugar deste último, mantendo a prática dos crimes.

O preso Lúcio Paulo Nunes Ribeiro ficava ainda responsável por comandar e coordenar o trabalho dos demais detentos integrantes da quadrilha, os também denunciados Zuelandres Batista dos Santos Filho, Francisco Guilherme Araújo de Azevedo, Claudemir de Souza Ferreira, Igor Filipek e Luiz Flávio Júnior. Eles são acusados de arrecadar dinheiro de presos e familiares na ausência de Lúcio, além de cuidar do cotidiano administrativo da unidade prisional, o que lhes garantia, inclusive, gozar de regalias na prisão como o acesso a telefones e liberdade para sair nos finais de semana, sem justificativa plausível.

Outros quatro policiais civis denunciados são Argemiro Garcia Correa, Geraldo Gontijo de Faria, Marcelo de Nazareth e Eli Carneiro Machado. Eles foram escalados para trabalhar na carceragem da Polinter quando Antônio Carlos Ferreira substituiu Ernani, em meados de setembro deste ano. De acordo com a denúncia, os quatro tinham pleno conhecimento das ações da quadrilha, mas, de forma dolosa, omitiam-se e nada fizeram para impedir a prática criminosa.

Do mesmo modo, o inspetor Antonio Carlos de Jesus Fernandes, lotado na 151ª DP (Nova Friburgo), mantinha a mesma conduta ao prestar serviços e auxílio àquela unidade da Polinter, entre eles, o transporte de presos, desviando-se de sua função original. Por fim, a servidora Tamiris Santiago da Silva, também denunciada, lidava diretamente com os policiais e os presos, compactuando com alguns delitos e repassando informações.

Delegado mantido no cargo

Em nota, a Polícia Civil informou que o chefe interino da corporação, delegado Sérgio Caldas, optou por manter Rentao Vieira no cargo. A decisão foi tomada com o intuito de não prejudicar as investigações.

De acordo com o comunicado, a preocupação da Polícia Civil é com a correição dos seus policiais, com probidade, ética e atuação das corregedorias, tanto a interna (Coinpol) quanto a Geral Unificada (CGU). A instituição reafirma o compromisso com a lisura e transparência dessa gestão, não abrindo mão de cortar na própria carne quando preciso.

    Leia tudo sobre: polintercarceragempresídio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG