Delegado preso no Rio acusa PF de complô e racismo

Carlos Oliveira foi detido no início de fevereiro durante a Operação Guilhotina

AE |

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Preso acusado de tráfico de armas e de chefiar milícias na zona norte do Rio de Janeiro, o delegado de Polícia Civil Carlos Oliveira disse nesta segunda-feira (28) que foi vítima de um complô e acusou a atual direção da Polícia Federal no Estado de ter feito uma investigação "racista e direcionada" contra ele. Oliveira foi a principal autoridade policial do Rio entre os 38 agentes civis e militares presos durante a Operação Guilhotina da PF, realizada no início de fevereiro.

Agência O Globo
Carlos Oliveira quando ainda era titular da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos
Em depoimento à CPI da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) sobre o tráfico de armas, o delegado informou que havia sido convidado pelo Ministério Público Federal (MPF) para auxiliar no inquérito que apura a suposta ineficiência da PF no combate ao tráfico de armas e de drogas no Estado. Oliveira informou que seria ouvido pelos procuradores do MPF no dia em que foi preso.

Ao longo de seu depoimento à CPI, o delegado insistiu que não viu nenhuma ação da atual superintendência da PF no combate ao tráfico de armas. "No dia 4 (de fevereiro), a Secretaria de Segurança recebeu um ofício para eu depor num inquérito que apura a ineficiência da PF nas operações de tráfico de armas. No dia 7, foi feito meu pedido de prisão. No dia 11, começou a operação. Meu depoimento estava marcado à tarde", disse o delegado.

Por nota, o MPF confirmou que Oliveira seria ouvido no dia em que foi preso. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, o delegado deverá ser ouvido nesta quinta-feira. Apesar de negar qualquer envolvimento com atividades de grupos paramilitares que atuam em comunidades carentes do Rio, Oliveira se limitou a dar informações apenas sobre as rotas do tráfico de armas que abastecem a quadrilhas de traficantes de droga.

Convocado à CPI por ter sido titular por mais de seis anos da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), o delegado não deu qualquer informação sobre como os milicianos adquirem armamento. Questionado sobre esta lacuna em seu depoimento pelo presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo (PSOL), Oliveira disse não ter conhecimento específico das estratégias dos paramilitares para comprar armas. "Ele deu informações relevantes sobre o tráfico de armas para traficantes, mas não disse nada sobre como as milícias se armam", observou Freixo, após o depoimento.

A assessoria de comunicação da PF no Rio informou que suas investigações têm como objetivo o cumprimento de suas atribuições legais e que elas ocorrem dentro de critérios técnicos. A PF não vai comentar as acusações de Oliveira.

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