Delegado e três agentes são suspeitos de criar esquema de corrupção no RJ

Policiais foram denunciados por supostamente exigirem propinas de comerciantes em Piabetá, na Baixada Fluminense

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

Um delegado e três policiais civis são acusados de participar de um suposto esquema de corrupção na delegacia de Piabetá (66ª DP), em Magé, na Baixada Fluminense. Todos foram denunciados em setembro e respondem processo na Vara Criminal do município que foi instaurado na mesma época. No mês passado, a Justiça decretou sigilo dos autos.

Leia também : Policial civil agia como infiltrado da milícia na Corregedoria

Segundo o processo, os policiais estariam envolvidos na cobrança de propinas de proprietários de depósitos de gás e de ferro-velhos de Piabetá. Os valores chegariam até a R$ 5 mil.

O delegado chegou a ter decretada pela Justiça em novembro a suspensão de sua função pública. A decisão, no entanto, foi revogada em dezembro sob alegação de que as provas ainda não eram consistentes.

Leia também : Delegado que coordena carceragens no Rio é preso suspeito de corrupção

O policial, no entanto, continua afastado, segundo o corregedor da Polícia Civil, delegado Gilson Emiliano, que disse não ter sido notificado pela Justiça.

Os agentes suspeitos chegaram a ficar presos mas foram soltos beneficiados por um habeas corpus.

"Eles estão suspensos de suas funções. Estão sem armas e o distintivo da polícia", afirmou o corregedor.

Propina para 'trabalhar em paz'

De acordo com as investigações, os agentes agiriam em conluio com miliciano identificado como Cigano, que está preso. Em nome da 66ª DP, Cigano percorria os estabelecimentos e exigia o pagamento de propinas para que os comerciantes pudessem "trabalhar em paz".

"A investigação indicou que os suspeitos exigiam dinheiro de donos de ferro velho e de depósitos de gás. Normalmente, pegavam R$ 100 de um e de outro", disse o corregedor Gilson Emiliano.

O proprietário de um depósito de gás denunciou o grupo. Ele contou que Cigano, na companhia de dois dos policiais suspeitos, foram até a sua loja no dia 1º de setembro e exigiram propina de R$ 400 mensais em troca de não fiscalizar o seu estabelecimento. O miliciano teria dito, na ocasião, que todas as distribuidoras de gás contribuíam com a 'caixinha' da 66ª DP.

Constam nos autos de que, no interior da própria delegacia e no mesmo dia, um outro agente envolvido no esquema exigiu do comerciante o pagamento de R$ 5 mil de propina e depois tentou junto aos colegas suspeitos a redução da mesma para R$ 500.

Miliciano usava viatura

Cigano está preso desde o dia 12 de setembro. De acordo com a investigação, mesmo não sendo policial civil, ele conduzia viatura da corporação, armado e com o distintivo do órgão.

Sobre o delegado, o processo revela que ele teria ameaçado de forma agressiva o comerciante de que ele responderia por um crime inafiançável (não mencionado no texto) e pegaria cinco anos de condenação.

A cena teria ocorrido na frente de um dos agentes investigados o que, segundo o relatório da investigação, indicaria um suposto conluio entre o delegado e o policial no sentido de aterrorizar a vítima e obrigá-la a pagar propina.

    Leia tudo sobre: corrupção policialdelegaciaRio de Janeiro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG