Delegado deve indiciar estudante e médica pelos mesmos crimes

Inquérito que apura erro em atendimento à menina Joanna deve ser concluído amanhã. Criança continua internada em coma

Bruna Fantti e Daniel Gonçalves, especial para o iG |

O titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), Luiz Henrique Marques, afirmou ao iG que deve concluir sexta-feira (13) o inquérito que apura possível erro médico no atendimento à menina Joanna Carsoso Marcenal Marins, de 5 anos, no Hospital RioMar, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo Marques, o estudante do 5º ano de medicina, Alex Sandro Cunha Silva, 33, pode ser indiciado por exercício ilegal da profissão, falsidade ideológica e uso de documentos falsos. Na quarta-feira (11) ele prestou depoimento e confessou que consultou a menina no dia 17 de julho usando o CRM de outro profissional. O pai de Joanne disse à polícia que o estudante liberou a menina mesmo ela estando desacordada. A criança permanece internada em coma no Hospital Amiu, em Botafogo, zona sul.

Divulgação
Polícia divulgou nesta segunda-feira (9) a foto do falso médico
De acordo com o delegado, o estudante contou que para combater as convulsões da criança prescreveu medicamentos com ajuda da coordenadora da pediatria do RioMar, Sarita Fernandes Pereira. Alex revelou que Sarita o contratou como médico mesmo sabendo que ele era estudante de medicina. Em março deste ano, segundo o depoimento, a médica o convidou para trabalhar, porém ele deveria conseguir um CRM. Alex usou o registro de André Lins de Almeida. O estudante repassou o número para Saritra, que providenciou um carimbo, aconselhando-o não manter contato com outros médicos da unidade.

Alex Sandro soube que Sarita costumava contratar estudantes e que a primeira vez que recebeu o convite para trabalhar no RioMar foi em abril. Ele disse ainda que já conhecia André, mas que o mesmo não tomou conhecimento do uso do seu CRM.

O titular da DCAV informou que pode indiciar Sarita pelos mesmos crimes de Alex, inclusive o de tráfico de drogas, por causa da medicação prescrita de maneira indevida. O delegado explicou que Sarita oferecia médicos de sua empresa de prestação de serviços ao hospital, e que após o caso de Joanna aparecer na imprensa, ela aconselhou o estudante de medicina a sair do país por uns tempos. A direção do RioMar informou que afastou a doutora.

O delegado Luiz Henrique Marques disse que o inquérito de erro médico será desmembrado das investigações de maus tratos. “O inquérito do erro eu pretendo concluir amanhã, mas vou abrir um novo procedimento para continuar apurando os maus tratos que a menina pode ter sofrido”, disse ao iG .

Hematomas e queimaduras

A menina Joanna foi internada no Hospital Amiu com hematomas nas pernas e sinais de possíveis queimaduras nas nádegas. A mãe da menina, a médica Cristiane Cardoso Marcenal Ferraz, acusa o pai de Joanna, o advogado André Rodrigues Marins, de maus tratos. Ele nega e diz que a criança se feriu porque teve sucessivas convulsões.

Os pais de Joanna travam na Justiça uma batalha pela guarda da menina. A criança ficou sob cuidados do pai por dois meses, mas após a internação da criança a 1ª Vara de Família de Nova Iguaçu determinou que a guarda de Joanne retornasse para a mãe. Cristiane garantiu que entregou a menina ao pai, em maio, em perfeito estado de saúde. Já o pai alega que a mãe sabia dos problemas neurológicos da filha, que teriam provocado as convulsões, mas não avisou a ele.

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